quinta-feira, 14 de novembro de 2013

PERFUME


Faltou-me falar desse silêncio que, estagnado, paralisa as águas de um límpido lago enquanto penso, num tom quase amargo, nas coisas frias que ainda me cercam...nas coisas tristes que ainda me abraçam.
Esse silêncio mordisca o meu orgulho enquanto, teimosa, revisito insossos planos do insano mundo onde, acho, me perco em inúmeras e fúteis considerações...rodando e rodando em círculos sofríveis.
Faltou-me falar desse silêncio profano que, calando aquela brisa tão confortante, aponta-me erros vários, improváveis, impalpáveis, na tentativa de desviar o foco de si e, num tom intrigante, sisudo e assaz, arranca-me as folhas da memória, quase confusa...
Esse silêncio, tão moço, fossiliza-me as veias e, no confronto com essas letras tortas, tenta levar consigo o melhor do meu sorriso. Duelo inútil...Desiste, deixando-me às margens do lago límpido onde enfim decido afogar essas palavras inaudíveis e moucas...Vedo meus ouvidos para as falácias fúteis. Deito os meus olhos no espelho d'água e sem nenhum resquício de mágoa, verto o perfume mais puro da alma e, finalmente, desafogo...

PERFUME - Lena Ferreira -
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