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OUVINDO

As vozes do vento, as velozes, confundem os ouvidos incautos em sustos, também sobressaltos, imputam torturas ferozes As vozes do vento, as bravias, iludem os olhares distantes em compassos tão dissonantes instauram a desarmonia As vozes do vento, as amenas, difundem a calma prevista em passos de lenta conquista evocam as coisas pequenas As vozes do vento, as suaves, dispersam as palavras graves OUVINDO - Lena Ferreira -

DULCÍSSIMO

Dorme um sonho pequenino nas abas do pensamento vai coberto por um vento vai com olhos de menino Dorme um sono celestino cheio de contentamento sonho com o aprimoramento dos passos do seu destino Dorme, sonho, enquanto canto um dulcíssimo acalanto até que estejas pronto Para um despertar maduro no destino que futuro paciente o nosso encontro DULCÍSSIMO - Lena Ferreira - jun.15

CONTÁGIO

O choro que a voz segura talvez por orgulho frágil corre por dentro e satura o peito em doido naufrágio Encharca o esterno e, dura, faz do pulsar calmo, ágil destilando  amargura afunda a alma por contágio O choro que a voz embarga e em seguida se larga à morte em seco mergulho Alivia a alma e o externo desfila o seu tom mais terno despido de todo orgulho  CONTÁGIO - Lena Ferreira - mai.15

ITINERÁRIO

Lá vai mais um pensamento aos lugares de abandono como folhas de outono carregadas pelo vento Lá vai com seus passos lentos e razão que não tem dono vai numa noite sem sono vai cumprir o seu intento E no breve itinerário colhe os fatos mais vários guardando-os em um surrão No retorno à sua casa esses fatos, já com asas, pousam na inspiração  - ITINERÁRIO - Lena Ferreira - abr.15 

MÍNIMA

Sempre haverá quem conteste Quem discorde com o que diga; Não é motivo pra briga Nem preciso que proteste No argumento que investe Se achar justo, então, prossiga Mas, como diz uma amiga, A vida é um ciclo de testes Onde, sem nos darmos conta, Usamos lápis sem ponta No  X de algumas questões Mínima é a exigência Pra salutar convivência: Respeitar opiniões MÍNIMA - Lena Ferreira - fev.15