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quase

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trocava fácil esta dor sem prévio aviso mastigando o meu juízo - ferindo o seu lado direito -  no seu lugar poria a flor do teu sorriso junto a um verso mais conciso para acalmar este peito que pulsa doido quase para quase piro quase doida já deliro pressentindo a tua presença mas, tudo passa logo a dor dá uma trégua quase para então, respiro quase doida assim me inspiro do que essa troca não nega

- Lena Ferreira -

como eu

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se te pareço ausente dessas coisas todas é porque teus pés prioritários não me reconhecem nesse outro caminho, estreito e estranho à procura das tuas perguntas soltas
talvez teus olhos, acostumados com tribunas doutas, enxerguem somente o que te convém e já não olhem para o teu passado coirmão deste meu presente que sente tanto, e tudo, e muito sem intuito e sem remissão
estacionado na esquina de outros pensamentos o meu olhar ainda espelha esperas e embora também te pareça ausente - como eu -  é todo teu, presente - como eu -

- Lena Ferreira -

nessas horas

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cessa o vento sobre o mundo - o de dentro e o de fora - por um tempo impreciso horas varrem um segundo tudo em volta desfalece ontem transmutado em agora a mão deposita a cena sobre um verso que se esquece onde a rima não se escrava nessas horas indecisas quando a pena desarvora o silêncio é palavra

- Lena Ferreira -

rimas orvalhadas

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quando o Jardineiro vem colher suas flores deixa rimas orvalhadas pelos cantos das janelas que aspiravam seus valores inspiradas pelo encanto das sementes ventureiras desde o colo que fincaram suas raízes bem no vento das nuvens robustas, fizeram seu solo quebrando o trato com o tempo quando o Jardineiro vem, vem sem aviso é por isto que estes versos de improviso dizem menos que devia dizer dessas flores bem como se deve há somente um Autor que se atreve pois é a própria Poesia
- Lena Ferreira -

à brisa mole

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quando olhos se procuram  sem encontro e perguntas se afogam  sem respostas urge a busca por um vento mais propício que diga, do início, muito mais do que do fim que cure o corte fundo feito à navalha solicitando à brisa mole que equivalha aos acordes sazonais capaz  equacionar essas questões ambivalentes plantando, aos pés do tempo, os detalhes racionais
- Lena Ferreira -

ao largo

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ao largo, esperas cansadas se empenham: nutrindo uma esperança esquálida balbuciam preces indizíveis por dias a mais
mas, a reza que os céus preferem e a que ainda profiro é por dias amenos

- Lena Ferreira -

afasia

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do outono que se vai, o que nos deixa desponta em certos fundos de quintais nas nuvens de algum céu feito de queixa semeia intermitentes temporais
difícil o respirar do ar que pesa e lesa as folhas que clamam por vento rejeitam o argumento que despreza e rezam por um novo pensamento
mas, só rezar bem pouco adianta o que fazer com o grito na garganta contido por coragem ou covardia?
talvez o inverno traga-nos respostas talvez, quem sabe, as folhas mais dispostas possam virar-se e findar a afasia 

- Lena Ferreira -