RENITENTE
Um monte de talvez ao pé da porta, que abre e fecha ao sabor de qualquer vento, mistura-se às perguntas sem respostas, e evocam o sentimento clandestino em doidas e vãs considerações. É quando a madrugada, fria e longa , prolongando, em agonia, o pensamento da alma que no tempo se encosta, - portanto, já perdera o senso e o tino - convoca as mais estranhas reações: olhos pisados por um passado renitente, mãos suadas por uma espera inútil, pés bêbados pelo passo tolo, fútil e o peito aflito em reticentes pulsações. Quase morta com o vai e vem da porta, (que, resistente, não fecha) observa, ainda, o vão do não que tudo importa. E a brecha, o trinco, a chave e a dobradiça enferrujada cobrando, insistentemente, a solução. Então, à duras penas, socorre as lágrimas sinceras que escorrem nessa hora e abdica da inútil espera. E de tudo, o resto, outra conduta. E, enquanto a calma, mesmo que breve, lhe acena, levanta resoluta, bate a porta e vai embora... RENI...