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acordar a noite para um papo ameno sentindo o sereno descer tão macio nem sentir o frio que já se anuncia nem lembrar do dia vivido em açoite acordar a noite e namorar a lua que vai seminua desfilando, bela ah, o brilho dela lembra os olhos teus deitados nos meus acordando a noite   - Lena Ferreira - 

os quatro

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... e, porque nada me dizes, nada falo fico assim, assimilando o trato há tempos subentendido embora os olhos cheios - cheios, os quatro - dialogando longamente leve-nos as almas a passeios - Lena Ferreira - in Devaneios 

CIRCULAR II

A mão na caneta a caneta na folha a folha nos olhos os olhos pra fora o fora pra dentro o dentro na mente a mente no verbo o verbo na alma a alma no verso o verso na folha a folha no vento o vento nos olhos os olhos na mão CIRCULAR II - Lena Ferreira -

OS OLHOS DE BIA

- à Bia Cunha - Os olhos de Bia liam Mia, de Barros, Clarice liam tudo aquilo que vissem liam a vida na vaga do verso Os olhos de Bia viam tudo de dentro pra fora viam tudo; chegando, indo embora e faziam, de ver, um universo Os olhos de Bia eram olhos de um verde outono nem por isso criam no abandono e o vento ventava-lhe a paz Os olhos de Bia tinham um brilho assim, transbordante: eram dois risos contagiantes era um olhar de querer  sempre mais OS OLHOS DE BIA – Lena Ferreira – dez.14

SONHAR-TE

E tudo é vago quando a noite principia... Traz-me a tensa incerteza de teus olhos sobre os meus E, devagar, os momentos tensionados aflitivos, todos, tantos, fazem-me buscar - sei onde - pelas tuas muitas mãos Olho pro céu que pariu filhas-estrelas recolho só uma delas que me nina até sonhar-te SONHAR-TE - Lena Ferreira -

PARESCÊNCIAS

I- Olhos cheios de uma água que entorpece que, parece, só mais cresce anuviando a razão II- Olhos cheios de gotinhas de saudade que, parece, por maldade, o vento assopra à vazão III- Olhos cheios de uma nuvem que galopa que, parece, a alma ensopa dimensionando a aflição IV- Olhos cheios de uma chuva que não tarda que parece só aguarda do vento, outra direção PARESCÊNCIAS – Lena Ferreira – jun.14

TUAS ÁGUAS

Acomodas tempestades e, no teu peito, há um vão tenso de onde escorrem vãs palavras em lavas que inundam o quarto e a sala e não calam o verbo que eu não quis ouvir. Fala de nós ao vento que passa ao longe enquanto chamo a brisa para o nosso lado. Ela vem mas logo parte e, em desassossego, rego o canto de te amar. Não é doce a voz que sai de mim; é trêmula, carregada de um tom acovardado – refreio -. Não soubeste precisar nada além desta imagem impregnada por detrás dos olhos negros, pequeninos, moles de tanto te ver e ver - tão perto e tão distante - . Teu peito é um não imenso que me incita tempestades encharcando o canto esquerdo com mais m'águas... TUAS ÁGUAS - Lena Ferreira -