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desacostumo

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sobre as coisas acostumadas planto um olhar diferente desviando-me dos rótulos em disposições aparentes apreçadas pelo tempo pelo vento do abandono pelo não que bate à porta pelo talvez dito em pressa   sobre as coisas acostumadas sob esse estágio sem trono enterro o sim da promessa desacostumo o seu dono num verso em estado bruto uso a calma que me importa: planto outro olhar, já sem sono, que fecunda o próprio fruto - Lena Ferreira -  

DEUSA

Contemplemos esta noite que desfila num vestido deslumbrante de mistérios salpicado de brilhantes que rutilam e transformam o momento em etéreo Contemplemos esta dama dos segredos: no silêncio sepulcral da madrugada tão discreta, adormece alguns dos medos da alma incauta que, de dia, ia agitada Tão materna que, de uma forma estranha, acalenta dores várias e cansaços encobrindo com sua sombra tamanha muitos nós dos sós e dos sóis, o mormaço Deusa estranha, adornada pelo tempo onde entorna-se, o poema faz seu templo DEUSA - Lena Ferreira -

SOBRE OS ARCOS

Com passos de espera inverniça caminho leve, apreciando a paisagem de um outono morno e tão incerto como os meus pensamentos vãos as folhas no caminho, semimortas esboçam um sorriso enraizado contrafeitas com o destino natural: foram escolhas? foram escolhas? divago nessas interrogações enquanto os meus passos se amiúdam como adivinhassem necessário o instante pondo-me diante da ponte imponente meus olhos se enchem sobre os arcos bebendo a visão majestosa ao redor um cheiro de estiagem passeia por mim enquanto uma brisa temperada me abraça sob a ponte que separa os meus mundos um córrego, manso, frio e fino recolhe as folhas despidas dos galhos levando-as para muito além do mais ao longe, ouço ainda alguns murmúrios e os assovios não consentem o abafar: foram escolhas? foram escolhas? - o inverno não tarda em chegar - SOBRE OS ARCOS - Lena Ferreira -