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por sorte

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*** a noite deu um passo firme além da tarde com as mãos pesadas de promessas vespertinas em sua órbita, já transitam muitos rastros quase escondidos por estrelas repentinas só mais um passo, cuidadoso, sem alarde e o manto negro, como uma leve cortina, recobre o céu e nos descobre ainda frágeis nessa jornada entre o chão, o céu e os astros um passo a mais e a madrugada traz o sono entregue o corpo, a alma em suposto abandono talvez percorra os rastros, passos desse dia talvez vigie o corpo intacto em esperas talvez reclame as promessas de outras eras talvez, com sorte, acorde em nós, a poesia - Lena Ferreira - foto: Maria Célia R. Domingos

outubro

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*** dos sonhos crudelíssimos que ocorrem nas noites assombrosas e ainda frias nascem-me mais vazantes em agonias que pelos olhos doidos ora escorrem bem tento afugentá-los mas não correm; insistem em perturbar-me até de dia arrastando o passado qual sangria que não desata e o presente colore em  tons medonhos de um estranho rubro com os quais, incauta e ingenuamente, cubro a alma, o corpo e a mente... pesadelo! conforta-me a chegada de outubro; nas luzes de seu aceno é que  vislumbro sonhos em sono ameno - hei de tê-los - *mote - CAMINHO soneto de Camilo Pessanha *