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na varanda de minhas vontades

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  ***   plantaste sementes fecundas na varanda de minhas vontades - até então, adormecidas - e, diuturno, zeloso na rega, umedeces a terra dormente fertilizando o entorno com palavras tenras, ternas - eternas -   - Lena Ferreira -

e 'stato già scritto

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mas, estava escrito que assim seria se te esquecesse, reencontrar-te-ia não diferente do ser que lembrava  indiferente ao constrangimento que lembrança certa, imune ao degredo, desperta e esperança o reconhecimento e acorda os medos tão bem conhecidos dos tempos idos - salvo engano ledo - mas, estava escrito que assim seria: eu compondo loas que dedico ao vento tu dispondo afinco ao distanciamento - Lena Ferreira -

quando tu vens

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sei bem quando tu vens antes mesmo de chegares a faceirice dos olhos ruboriza ondas variantes pelas curvas e setas indicando o porto certo mostra-me um cais seguro de atracação sei bem quando tu vens a brisa mole traz o teu perfume lenta, a mente queda os pensares e a alma desmaia em sensações imprevistas, surpreendentemente sei bem quando tu vens pássaros cantam ao longe anunciando a tua chegada asas cansadas de voos incertos por nuvens densas, carregadas de ais sei bem quando tu vens o vento para e, no vão do seu silêncio, o teu silêncio me fala bem baixinho da paciência em reserva que é amar sei bem quando tu vens e antes de chegares, eu me apronto pausando a ansiedade, eu me deito na tua calma que traz bem e mais - Lena Ferreira -
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não me perturba esse olhar quase cativo debruçado da varanda do meu pensamento esparso e muito menos quando vai assim, lascivo, e impregna com lavanda todo o canto em que me espaço quando desfila descuidado entre as rotinas, planta infinitas surpresas no jardim destas retinas e essas meninas, que já viram tanto, tanto - vida, morte, riso, pranto - veem-se diante deste espanto: não se perturbam com o instante em que as contemple, mas enlouquecem quando planta um para sempre

em silêncio e falta

celebro-te em silêncio e falta que quase se ajustam na ciranda eterna dos desassossegos quase que em improviso quase que imperfeito quase que imprevisto quase um desapego e na festa, isenta de convidados, acendo um incenso sobre as pausas mais extremas ascendo uns versos no altar de alguns dilemas apago as luzes que me espionam segredos danço lua em fase incauta e, nesse enredo, celebro-te em silêncio e falta - amanheço pauta das canções sem medo - - Lena Ferreira - 

os quatro

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... e, porque nada me dizes, nada falo fico assim, assimilando o trato há tempos subentendido embora os olhos cheios - cheios, os quatro - dialogando longamente leve-nos as almas a passeios - Lena Ferreira - in Devaneios 

instintivos

Sob o efeito de umas notas sussurradas sobre a pele numa improvável conquista quase, quase se ouvia aplausos antecipados, infinitos instantâneos, instintivos caros, efusivos dos pelos dispostos a abraçarem o palco da voz explorando outros acordes em detalhes um querer tanto de impensado aprendiz harmonizava os ventos fartos da cadência despreocupado com excelência, perfeição e sob o olhar de uma lua imprevista entre a calma e uma breve insensatez tocava notas e mais notas e mais notas e sustenidos nos lençóis de um branco giz até que, em êxtase, a música se fez entre aplausos - pausa - mais aplausos ...e o bis  - Lena Ferreira - in Devaneios