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rimas orvalhadas

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*** quando o Jardineiro vem colher suas flores deixa rimas orvalhadas pelos cantos das janelas que aspiravam seus valores inspiradas, certamente, pelo encanto das sementes ventureiras desde o colo que fincaram suas raízes bem no vento das nuvens robustas, fizeram seu solo quebrando o trato feito com o tempo quando o Jardineiro vem, vem sem aviso é por isto que estes versos de improviso dizem menos, bem menos que deveria dizer dessas flores bem como se deve há somente um Autor que se atreve pois é o Verbo e a própria Poesia - Lena Ferreira -

COLO

Vem de longe. Longe e lento. Lento e, leve, socorre a noite esparramada pelo resfriado solo onde os meus olhos teimosos, rubros, se debruçam em lamentos incoerentes, improváveis e inúteis Fala-me manso e cioso sobre o que quase escuto: amnésia, lobotomia, rechaço, em falta o que parece prece possíveis elementos para uma defesa crua e cauta às memórias doloridas que cochilam em sono breve Quase escuto, quase entendo, quase, quase, quase... enquanto não aceito, sussurra macio: esquece, amor, esquece e, recolhendo do chão os meus olhos pequeninos, com um olhar de outono, o seu colo reaquece-me COLO - Lena Ferreira - jun.15