gota d'água
*** Gota d’água que namora com uma brisa Flerto com vórtices e volúveis ventanias Onde as rimas retas ricas não se atrevem E as palavras mais macias não tem cela Nasci sorrindo na beirada de um abismo De onde os verbos lisos arredam dois passos Alimentei a sede em vão do vinho verde E na textura à tinta extinta, pinço nuvens Pressinto longe tempestade, céu vermelho Apronto os pés que, em ponta, aponta o precipício Lançando-me num seco, solto e cego salto Redimo o peso de uma improvável pena E nos segundos que sucedem essa queda -mero respingo, evaporando, evaporando - Em tudo penso e do que penso nada sei E antes mesmo de tocar solo, nada sou GOTA D’ÁGUA - Lena Ferreira - fev.15 -para Inspiraturas - Oficina de lirismo - Quem sou?