Postagens

Mostrando postagens de Março, 2015

LADAINHA

E das cismas cíclicas em revisitas anunciadas, plantadas no extenso quintal à minha frente, as sementes espalhadas pelo vento invadiram corredores, quarto e sala. E cresceram como heras pelas falas, pelas paredes e subindo além do teto, cobriram o sol, cobriram o céu e todo o seu azul de ensaio. Desde então, busco uma escada segura e firme e com altura necessária para arrancar essas folhas de teimosia viscosa... Antes que cubram o ferrolho das portas e janelas. Antes que impeçam a passagem da brisa suave. Antes que enraízem na garganta e travem definitivamente a voz. Antes que apertem os cômodos até o seu desmaio, asfixiando sândalos, verbenas, orquídeas e outras essências várias. Antes que...
- nesse canteiro, onde faltas largas se alastram e me despoesiam, ladainham lírios e lítio disputando atenções. -
Oscilando entre o ofício e a cura, prescrevo possíveis soluções para esse estranho entrave: ou passo a foice nas mãos débeis que teimam regar inconstâncias ou  finco escora nos  pés …

FAROL

Farol num mar que balança bem mais do que descansa, - posto que ondula entre a fúria  e o recuo, o eco, o sussurro e o vácuo do grito - deita os olhos, duas nascentes de calma, em cada um dos respingos de sal
com os ouvidos atentos às fases, às frases, às crases e às oscilações anota cada nota da canção soprada aflita pelo hálito frio de maresia
dispondo-as aos pés da razão, germina uma a uma em sensibilidade vasta
afasta os grãos de areia - que atritam o percurso e o condena - asserena o verbo e a língua, deitando as notas na escrita
- berço de larga entrega onde nascem versos caros, salinização sincera que o vento logo carrega -


FAROL - Lena Ferreira – mar.15

IN LOCO

I-
Poros, campo de plantar arrepios em semeadura de táteis declarações florescem jardins de lírios aroma perfeito acordando estações de clamores inquietos
II -
Peito, cama de deitar afetos cobertos com puro linho de calma desabrocham verbenas aroma tranquilo adormecendo aflições de rumores incertos
III-
Olhos, lagos largos de poesia em mergulhos sem susto desafogam verbetes aroma diverso acalentando canções de amores despertos


IN LOCO - Lena Ferreira - mar.15

NOVAMENTE

Uma palavra era o que me pedias e, tola, dei-te a frase completa talvez por pretensão de ser poeta talvez por pretender ser poesia
Em linha curva era o que querias e, boba, entreguei-te numa reta o tiro e o alvo  ao escolher a seta que me acertava quando te atingia
Uma palavra só, mas dei-te o verso que o intento atingiu seu reverso; interpretaste mal os meus motivos
Agora, o que fazer com aquela frase? - silêncio, novamente, em nova fase segue-me o teu  olhar com duros crivos



NOVAMENTE - Lena Ferreira - mar.15

AMANHÃS

Um sol preguiçoso levanta-se do berço de nuvens
e caminha manso pela placidez azul

num conformismo tácito gestando futuros
galhos seminus não reclamam sede, fome ou frio

um vento acanhado, alisa ventres e circula pelo interior
acordando a copa, a seiva, o caule e a raíz

a terra orvalhada responde ao que o vento insinua
e o fato afeta o feto que sorri sementes:

amanhãs, vestindo verdes vários, vagarosos
ensaiam sua estreia marcada pra breve

- nessa calma, bebem luz e dispensam aplausos -



AMANHÃS - Lena Ferreira - mar.15

DOS QUERERES

Esses teus lábios de fala franca e macia escondem segredos em cada um dos cantos e esses teus olhos, dois poços de poesia revelam verdades da tua alma de encanto quisera teus passos ao menos por um dia seguir lado a lado sem medo e sem espanto levando nos braços um mar de calmaria capacitando a estrada em fonte de acalanto dispensaria ouvir os teus segredos, juro ainda que quisesses transpor esse muro o quê que ocultas é o que te revela só quereria os teus lábios, os teus passos e esses teus olhos, coberta de abraços já os segredos, jazeriam numa cela

DOS QUERERES - Lena Ferreira - mar.15

SEARA

Além da porteira, um caminho extenso, debaixo de uma chuva que não para meus olhos correm enquanto eu, só, penso: - Por que meu coração ainda dispara quando lembro da poética seara?
- um campo em flores de versos; imenso, desabrochado em rimas ricas, raras -
Incauto jardineiro, me convenço de que essa chuva que cai sem dar trégua encharcando o caminho em mais de léguas são lágrimas do meu peito em estio
Além da porteira, meu olhar se deita e planta um verso que, calmo, se ajeita; espero, em breve, ver  florir o plantio


SEARA - Lena Ferreira - mar.15

DA LONJURA

Há, nesse silêncio que escuto aflita,
um tanto da escrita lisa, lassa e suspensa
que desafia a gravidade dessas coisas todas:
penso que me encontro onde penso que me perco

Circulo o cerco, teimo e não me desvencilho
como um novilho que pastoreia nuvens e lobos
apresso a pressa, o agito, o grito quase irascível
previsível deságue em passadas tempestuosas

Ruidosas quedas que o silêncio prontamente
num tom eloquente espia e se assenhora
de todas as falas, gestos e em todas as línguas
segue e me penitencia em brandíssima censura

E da lonjura que sempre me impossibilita
responder com ternuras e afagos, afogo a voz
- mesmo sendo mar, um oceano me devora
no exato instante em que esse silêncio fala -



DA LONJURA  - Lena Ferreira - mar.15

ACENO

Nos gestos, olhares e falas
nos versos, nas rimas, nas asas
nos passos, nos risos, nos cantos
nos rios, no marco e nas pedras
nas vozes, suspiros, sussurros
nas liras, nos lauros delírios
nas flores, nos ventos, nas chuvas
nas folhas ao vento, nos galhos
surpresas, ausências presentes
suspensas presenças, saudades
- nos olhos que revistam a cena
acenam duas gotas de orvalho -


ACENO - Lena Ferreira - mar.15

ENQUANTO HOUVER

Enquanto houver gerúndio vou estar à sua espera pássaro de pouso incerto instante breve suspirado estalo sussurro piscar leve bocejo ou brado respirando aspirando o alimento dia-a-dia enquanto houver gerúndio vou estar gestando poesia


ENQUANTO HOUVER - Lena Ferreira - mar.15

ANTES DO VOO

E depois de testemunhar fotos inertes transformarem-se em rostos vívidos, ninhos de risos depois de ver palavras impressas dispostas em gestos toques, beijos, abraços, afagos precisos depois de ter sido recepcionada por ladeiras prosas de carinhos por vozes e ventos de mornas descobertas cumplicidade poética estendida deslizando mansa e perene margeando o Capibaribe liso bebendo olhares concisos parto, cheia de viço, revigorada deixando parte de mim em cada levando parte de cada em mim  A parte que fica acomoda-se no esquerdo canto qual semente fecundada em alegria a parte que parte, voa em breve levando na mente brotos fartos da poesia dos quatro cantos

 ANTES DO VOO - Lena Ferreira - mar.15

QUE VENHA O OUTONO

Que venha o outono com manhãs suaves
com tardes mais curtas e noites cobertas
de estrelas mais raras e redescobertas
mais falas macias, leves como as aves

Que venha e amanse esses ventos graves
que batem as portas e a calma aperta
que venha e encontre  janelas abertas
e as que se fecharam, então que destrave

Que venha o outono e que seja bem-vindo
aceno e agradeço ao verão que está indo
cobrir outras terras de acordo com o ciclo

Que venha o outono trazendo esperanças
- nas folhas caindo, vislumbro mudanças
e, só com o vislumbre, já me modifico -



QUE VENHA O OUTONO - Lena Ferreira - mar.15

SUAVE É A NOITE

Suave é a noite enquanto descansa
em lânguidos ares no seu romantismo
vapores de sonhos, de outras andanças
fascinante entrega num inteiro intimismo

Que cresce e cresce enquanto avança
a noite suave livre de eufemismo
conduzindo a alma além do que alcança
seu corpo desperto no seu conformismo

Suave é a noite e enquanto desfila
no céu, negro manto, serena e tranquila
salpica estrelas bem sobre seu leito

Pra quando acordar, toda suavidade
deite nos seus olhos em serenidade
e encontre aconchego dentro do seu peito



SUAVE É A NOITE - Lena Ferreira - mar.15

AURORA

Sou das manhãs com os pés na madrugada
recebo o sol bem no seu nascedouro
que doura o horizonte e como um estouro
colore o azul do céu e pinta a estrada

Sou das manhãs de ouvir a passarada
com seu trinar, que pra alma, é tesouro
livre, ao longe,  em cântico canoro,
orquestra os passos da nova alvorada

Sou das manhãs, mas se acaso anoiteço
respiro fundo e rumo ao recomeço
- abraço-me à aurora se vacilo -

Sou das manhãs, mas se disto me esqueço
num verso ensolarado me aqueço
e alvoreço em sorriso tranquilo



AURORA  - Lena Ferreira  - mar.15

PARTE A PARTE

Parte-se o partido que num embate tosco finca espora além dos ossos por ofício, fere a calma faca na ponta da língua fenda funda em precipício onde a estrela estranha míngua verbaliza o seu descarte corte curto, tiro reto substrato do concreto ojeriza parte a parte

PARTE A PARTE - Lena Ferreira - mar.15

A CEIA

Beber com os olhos nuvens e constelações sólidos perfumes coloridos gestos úteis, necessários transcendendo tons comer com os olhos gostos, sensações o raso, o meio, o fundo o profundo, os  restos fúteis, temporários alternando os sons impressos precisos preciosos dons comungando o pão com  suas taças hábeis tácteis e voláteis porosos, sensíveis no lastro da veia erguem-nos um brinde - no corpo do livro, dispõem-nos a ceia -



A CEIA - Lena Ferreira - mar.15

CALHA

De amparar chuvas e chuvas  fiz ofício calha disponível onde líquidos escorrem: fino, espesso, fino, volumoso, até o ralo que, com folhas, não escoa; ressoa em verso mole desprovido de razão nesse meu vício tuas nuvens armam tendas entendas: habita-me o princípio muito além da profissão



CALHA  - Lena Ferreira - mar.15

INVERSOS

Dedos vagam pelo corpo do copo
indefesos e sem nenhum juízo
umedecem segredos com o suor
do conteúdo
frio
tragam perfumes entre as marcas de batom
tatuagem da noite
arrastada à madrugada
insone insanidade entre a fumaça e a tinta
da caneta
falha
inversos,
embriagados, vadiam pelo corpo corpo,
- que sua, impreciso e em prejuízo -
buscando um gole de presença
no fundo do copo
vazio
exaustos, espasmam no espelho
espocando urros
em versos



INVERSOS - Lena Ferreira - mar.15

RITUAL

Num ritual bonito, em despedida, as folhas desprendendo-se dos galhos formam um grande tapete amarelado cobrindo a extensão da escadaria e, sem nenhum indício de tristeza, da queda até o chão, leves sorrindo obedecendo ao ciclo da natureza dão as mãos ao outono, qual menino que despe as árvores e veste a vida com o bom vento das certas escolhas - novas sementes, em contrapartida, resguardadas estão sob essas folhas -



RITUAL - Lena Ferreira - mar.15

NA MESMA

Por me deixa cortar na primavera andei por um verão longo e abafado muito ocupada com certos cuidados que, nem no inverno, eu jamais tivera
Porém, não me arrependo; sou da espera: aguardo pelo outono inexplorado trazendo um vento quase suspirado que, nesse seu soprar, sempre pondera
- medindo as consequências das escolhas conversa, paciente, com essas folhas amortizando o peso em cada queda -
Por me deixar cortar, não me arrependo; escolha e não-escolha, compreendo: duas mesmas faces na mesma moeda



NA MESMA - Lena Ferreira - mar.15

IMPERFEITO

Se eu pudesse, beberia dos teus olhos essas lágrimas que vão dependuradas disfarçadas por pequenos ciscos prestes a caírem no vazio ...da voz
- mas, não posso -
Se eu pudesse, enxugaria dos teus lábios essas queixas que escorrem silentes disfarçadas por rios de risos prestes a desaguarem no estio ...da foz
- mas, não posso -
Se eu pudesse, apagaria da tua alma as lembranças de marcas indeléveis disfarçadas por quadros floridos prestes a trincarem as paredes ...de nós
- mas, não posso -
E diante dessas impossibilidades, resta-me o aguardo pelo tempo clemente dissolvendo o mal feito e o mal dito na fumaça do vento ou no incenso ...dos sós
- mais, não posso -


IMPERFEITO - Lena Ferreira - mar.15

NUM ÁTIMO

Há muito estive aqui sentada observando horas e heras
que cresciam desordenadas
sobre portas, pontes e muros
sobre frestas, fendas e musgos
debruçadas no entreposto da aspiração
e, com um olhar profuso, mole e esguio
oscilando entre o riso e o pranto,
acompanhava o percurso das formigas de correição
e questionava o porque das folhas virgens
carregadas força a força, passo a passo em desrazão
mas, apesar das circunstâncias, percebia o necessário:
em algum momento imprevisto
entre um sopro e um suspiro
entre um sonho e um delírio
há de eternizar-se o verbo
que justifique esse olhar
pseudo desinteressado
que planta pelo vento
sementes de séculos
entre o ócio e o ofício
- num átimo -


NUM ÁTIMO - Lena Ferreira - mar.15

RASCUNHO

Eis-me aqui, coberta de esperas, diante do leito branco onde dormitam os delírios e, com um olhar extenso, solicita-me as respostas aos convites que o universo me envia, então, me arrisco: tremo, temo, tento, teimo, tremo, temo, teimo; quem dera... - silencio - no labirinto, o conteúdo do vazio: além dos versos que aqueço em brasa fria, um verbo escuso recoberto de razão ...que me causa arrepio no canto, um rascunho sonolento, já boceja talvez durma e, tranquilo, sonde as luas surreais dando sinais de que quando enfim acorde traga consigo o pó da estreia e o conforto pras mãos pedintes que soluçam enquanto esperam pros olhos rasos que vão transbordando em ais...



RASCUNHO - Lena Ferreira - mar.15

INÉRCIA

As horas passam e ele ali, só, vendo o movimento lento dos ponteiros só, questionando os seus  passos rasos enquanto o tempo vai lhe absorvendo
De vez em quando, só, respira  fundo e nesse trago, o seu sufoco aumenta na realidade, só, sobrevivendo nessa inércia onde a razão não venta
As horas passam e, não lhe absolvendo, um pouco mais, a corda arrebenta...


INÉRCIA -Lena Ferreira -

POEIRA DE VERSO

Enquanto não acorda, me distraio com as rimas insensatas as catarses inexatas e um dos pés na contradança
Dos crivos, faço um belo buquê de cravos pra adornar a cama branca onde a poeira de verso por um bom tempo, descansa



POEIRA DE VERSO - Lena Ferreira -

ESPÓLIO

Não, não tenho quase nada, nada além da palavra:
a que grava na alma a que devolve a calma a que tira do sério a que veste mistério a que brinca de roda a que saiu de moda a que, escrita, calada diz bem mais que a falada
Não, não sei bem de onde venho nem sei bem pra onde vou eu só sei quem eu sou com esse pouco que tenho
Mas, se me tiram a palavra serei menos que nada


ESPÓLIO - Lena Ferreira - mar.15

A PRECE DE SOPHIA

Quando a casa de Sophia silencia ao fim do dia um barulho estridente rompe todo ambiente -interno-
Uma dose de agonia complementa a sinfonia entre o ranger das correntes e o assovio entre os dentes: -Inferno!
São gavetas que se abrem dizendo o que ninguém sabe são móveis que se arrastam são certezas que se afastam -açoite-
Como lâmina de sabre numa alma que não cabe no seu corpo, onde não lastra sanidade e nem pilastra -à noite-
Quando a casa silencia eis a prece de Sophia: - Por favor, acordem o dia



A PRECE DE SOPHIA - Lena Ferreira - mar.15

BATISMO

No abismo, como quem se embeleza, batizava em estranhas rezas as feridas palmo a palmo nada calmos, os pés empoçados em sangue como procissão exangue tropeçavam nos escombros nos tombos, com os joelhos vermelhos, procurava por espelhos que lhe enviassem avisos precisos de que mudar é preciso - se preciso, em improvisos; passo, pressa, piso, freio - no meio, mergulhado em frescas águas afogou possíveis mágoas vãos segredos e receios emerge murmurando um novo salmo agora com os pés mais calmos agora com otimismo prossegue caminhando entre as pedras e, levantando a cada queda, sacramenta o seu batismo


BATISMO - Lena Ferreira - mar.15

QUATRO ESTAÇÕES

Na maciez de uma praia em fim de tarde com seus pés firmes nas mais firmes intenções dois corações pulsando sem grandes alardes - porque perenes são, do amor, as sensações -
Trocando a quinta de Beethoven por Vivaldi andavam calmos pelas Quatro Estações descartando todo pensar que fosse fraude - que os levassem a afundar nas ilusões -
E a lua que não se demora vem surgindo enquanto os dois, caminho certo, vão seguindo levando na alma o sopro bom da maresia
E as estrelas rutilando pequeninas mais se parecem uma ciranda de meninas comemorando tanto amor na poesia


QUATRO ESTAÇÕES - Lena Ferreira - fev.15



VESUVIUS

Numa dessas noites quentes lavadas por vulcões sobre lençóis claros, corpos moles, almas suspensas duas mentes delirantes estão muito mais  propensas aos desvarios vários em débeis alucinações
A lua espiona um tanto quanto preocupada as vestes retiradas em aflitivas convulsões e, soprando o seu hálito em fio frio, apiedada, aguarda que se deitem as possíveis inversões
Mas, inversões que nada; num efeito adverso potencializados, os delírios chamam a chama e a lua arrependida assiste ao desfecho inverso: duas almas liquefeitas viram cinzas sobre a cama


VESUVIUS - Lena Ferreira - fev.15

A QUE CHAMAM LOUCURA

Isso a que chamam loucura talvez seja mais do que possam supor é como o respirar, o abrir dos olhos a cada manhã e bendizer a graça de cada momento brindado pelo alimento diário, diáfano, inglório impalpável, improvável, incrível mas, necessário
Isso a que chamam loucura é como nuvens que correm os céus tangidas pelo boiadeiro vento que, de tempo em tempo, brande o seu chicote modificando o sentido, o rumo e a direção
Isso a que chamam loucura talvez seja mais do que possam enxergar é como sentir sede em frente ao mar e sedento, bebê-lo, bebê-lo e bebê-lo até a transmutação e assim, cortar oceanos, beijar continentes sentindo o carinho do vento na pele sob um sol generoso espumando as ondas do pensar só por pensar
Isso a que chamam loucura talvez, para a loucura, seja a salvação



A QUE CHAMAM LOUCURA - Lena Ferreira - fev.15

COCHILO

Vento vinha de varrer estradas várias suspendendo o pó dos olhos da paisagem modelando nuvens francas, solitárias farfalhando, às folhas da longa estiagem, as palavras mudas mas, tão necessárias - esquecidas por um tempo na paragem - com lufadas leves e involuntárias, ventou lindo o tom dessa nova linguagem vento vinha de verter verdes amenos vicejando seu sentir a pulmões plenos assistiu as nuvens grávidas parindo encantado com os filhos desse parto debruçou o tempo no tempo feito quarto; cochilou vento e acordou brisa, sorr(indo)...


COCHILO - Lena Ferreira - fev.15