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Mostrando postagens com o rótulo prosa

ou deveriam

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Sobre textos e suas interpretações: poetas entendem, ou deveriam, a gama de possibilidades que se abre quando se lança um olhar atento sobre um texto ou mesmo uma imagem. Diria que isto se estende sobre o humano, o desumano; sobre o universo, enfim. Acontece que me deparo, não raro, com discussões acaloradas sobre o que um texto quer/quis dizer ou desdizer. E paro. E esfrio. Re-penso que, sim, o texto pertence a quem o assina, mas no momento em que o mesmo é disposto publicamente, passa a pertencer, também, a quem o lê que, por sua vez, abraça o direito de interpretá-lo da maneira que o sentir no momento. Aposto fichas altas que releituras, em momentos mais espaçados, lhes darão uma outra interpretação. Ou não. Como bem disse Octavio Paz, e que se aplica a outros estilos literários: "Não há poesia em si, mas em mim ou em ti." Desejo-lhes interpretações felizes. Abraço poético, Lena Ferreira , @lenaferreiraquaseserena #pensandocommeusbotões

por descuido ou sorte

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... Não, não. Meu mundinho não é cor-de-rosa, não. Muitas vezes me vejo cercada por paredes desbotadas, cinzentas, escuras. Nuvens carregadas estacionam sobre a minha cabeça como deve ter estacionado algum dia na sua também. Mas, com o tempo, a gente aprende que não adianta lamentar pela cor infeliz das paredes ou pela textura enrugada do céu esquecendo que temos janelas, prontas a serem abertas com paisagens mais interessantes a nos oferecer. Não, não faço o tipo 'comercial de margarina', não. Mas, com o tempo, a gente aprende que chorar pitangas não nos leva a lugar nenhum e que nossos problemas são só nossos; não temos o direito de despejá-los em ninguém. Não, não. Não tenho a solução para os meus problemas. Ainda não. Mas, com o tempo, a gente aprende que, seguindo em frente, observando cada passo e cada passante, a gente entende que os nossos problemas não são tão grandes e insolúveis como imaginamos ser. E aprende a lidar com o que não pode ser...

filtro

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*** Aprender a filtrar o que se ouve e o que se diz, penso, garante -nos um pouco mais de energia para saborear o dia, a semana, o mês, a vida! É um exercício contínuo, e árduo no começo, mas dominada a técnica, fica mais fácil o lidar e tem-me valido muito a pena. Entender que nem tudo o que nos enviam precisa ser recebido, poupa-nos de desgastes desnecessários. Se aceito, passa a ser meu. Então, abstraio. Há tanto de bom e de bem para ser visto, lido, lindo, vivo e vivido e que nos é servido minuto a minuto que se ocupo as mãos, e os olhos, com o que subtrai, não haverá meios de receber, e ver, o que acrescenta. Cada um dá ou deseja ao outro aquilo que tem. Eu te desejo o bem. - Lena Ferreira -

ok, ok...

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Ok, eu sei... Nem sempre será sol. E vai ter chuva, sim. Ventanias, tempestades, sim, sim. Porque faz parte do clima. E do 'clima'. E porque faz parte, aceito. E porque aceito, não me domina. Ou, nem tanto. Não mais. Porque sei o que quero. Quero paz.  Clichê, auto-ajuda, mantra, otimismo tolo e fútil... Seja lá o rótulo que imponham, sigo crendo que, 'apesar de', acima das nuvens, e aqui dentro, há um sol que me pertence e que, num sopro, solicito a chama toda vez que faz frio em volta. E ele me responde sol-rindo. Sempre. Ok, ok...Vai ter chuva? Sim. Ventanias, tempestades? Sim, sim. Mas, colocando-me acima do clima e do 'clima', também serei sol. - Lena Ferreira - 

VENTO MOÇO

Vento moço, filho de uma brisa constante, começou sua jornada há pouco tempo. Mas, já varre tristezas e lamentos como um adulto robusto, ventania. Levantando o pó de incertas verdades, recolheu as folhas bucólicas do outono e, prevendo o estio do próximo inverno, forrou o caminho, resguardando sementes. Tangeu nuvens cinza no céu, seu rebanho. Plantou riso farto ao chorar no plantio. Tirou pra dançar meias, lenços e lençóis estendidos nos varais no fundo dos quintais. Seguindo a jornada, espantou amarguras, sacodiu poeiras, cansaços, manias, secou a umidade que mofa as gavetas, mudou o sentido de umas setas tortas e, abrindo janelas, fechou certas portas. Bem...Depois de ventar e ventar, mais sereno, limpou suas mãos e num afago às letras, soprou de levinho uns versos de ternura. E como uma despedida sem aceno, virando-se, caminhou calmo e tranquilo, deu um suspiro de missão cumprida e voltou para o colo da mãe pra descansar por brevíssimo instante. VENTO MOÇO - Lena Ferrei...

TATUAGEM

Das tardes silenciosas de outono, passadas entre o ócio dos ossos e a carne em agito, o grito oculto é somente um apêndice insuspeito. Dono de si, sujeito raro e dileto, há tempos não me visita posto que, clamando por liberdade, corre solto pelas salas. E fala. Dos aromas imprevistos para o inverno, das manias flutuantes em anis, dos amores inventados em cristais e dos copos encorpados de geleia onde, vez por outra, esbarra e espalha os cacos pelo chão. Onde me corto ainda e ainda me hemorragia. Não deveria, já que me são tão familiares. Olhares ralos em desvio, vagas de interpretação numa leitura não tão clara. Logo sara, diz. Mas, a cicatriz que poderia servir-me de lição, não passa de temporária tatuagem. Bobagem!? Tudo bem. Um dia, aprendo. Um dia, quem sabe, sem descuido, dê abrigo permanente a um silêncio assim, estéril, discreto e irrestrito. E pouparei  as tardes de todas as estações das tarefas arrastadas em pacífico conflito entre o que fora pressuposto e o que jamais fo...

LADAINHA

  E das cismas cíclicas em revisitas anunciadas, plantadas no extenso quintal à minha frente, as sementes espalhadas pelo vento invadiram corredores, quarto e sala. E cresceram como heras pelas falas, pelas paredes e subindo além do teto, cobriram o sol, cobriram o céu e todo o seu azul de ensaio. Desde então, busco uma escada segura e firme e com altura necessária para arrancar essas folhas de teimosia viscosa... Antes que cubram o ferrolho das portas e janelas. Antes que impeçam a passagem da brisa suave. Antes que enraízem na garganta e travem definitivamente a voz. Antes que apertem os cômodos até o seu desmaio, asfixiando sândalos, verbenas, orquídeas e outras essências várias. Antes que... - nesse canteiro, onde faltas largas se alastram e me despoesiam, ladainham lírios e lítio disputando atenções. - Oscilando entre o ofício e a cura, prescrevo possíveis soluções para esse estranho entrave: ou passo a foice nas mãos débeis que teimam regar inconstâncias ou  f...

DE NOVO

Falta bem pouco para que o ano termine e com essa 'deixa' do calendário, as promessas logo se assanham: parar de fumar, perdoar um desafeto, retomar a dieta, fazer mais exercícios, menos tempo nas redes sociais, sair mais, falar menos, ouvir mais, se estressar menos, dar, doar e doar-se  mais... E vão se acumulando, engordando a fila, infinitas e infinitas promessas sob a jura de que serão cumpridas no ano que vem. Promessas protocolares que aos milhares sabemos que não serão pagas a curto prazo. Nem a longo, pensando bem. É no passo a passo que a coisa acontece e uma, sem querer, vai puxando a outra e quando menos percebemos, deixamos de ser como não queríamos para sermos os mesmos, mas diferentes, melhores para nós e, consequentemente, para os outros. Falta bem pouco para 2014 ir embora. Pouquíssimo mesmo. Mas, não precisamos deixar que ele se vá levando essa impressão de nós; meros espectadores, esperando que promessas, como num passe de mágica, resolva nossas questões. S...