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afável

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 *** toque afável dedilhando leve corpo afora... ...dentro, ascende estrela cadente Lena Ferreira

NO ESTADO DE POESIA

Sou água que o vento embala sou nascente, sou maré sou verso de quarto e sala sou jurada, juíza e ré Sou, da arma, o tiro e a bala sou cabeça, ombro e pé sou silêncio, o grito e a fala sou madeira, o ferro e a fé Sou sereno e sou ventania sou tristeza e sou alegria sou homem e sou mulher - que a realidade recria pois, no estado de poesia, posso ser o que eu quiser - NO ESTADO DE POESIA - Lena Ferreira - fev.15

gota d'água

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*** Gota d’água que namora com uma brisa Flerto com vórtices e volúveis ventanias Onde as rimas retas ricas não se atrevem E as palavras mais macias não tem cela Nasci sorrindo na beirada de um abismo De onde os verbos lisos arredam dois passos Alimentei a sede em vão do vinho verde E na textura à tinta extinta, pinço nuvens Pressinto longe tempestade, céu vermelho Apronto os pés que, em ponta, aponta o precipício Lançando-me num  seco, solto e cego salto Redimo o peso de uma  improvável pena E nos segundos que sucedem essa queda -mero respingo, evaporando, evaporando - Em tudo penso e do que penso nada sei E antes mesmo de tocar solo,  nada sou GOTA D’ÁGUA  - Lena Ferreira - fev.15 -para Inspiraturas - Oficina de lirismo - Quem sou?

PELOS JARDINS DA VELHA CASA

Andei pelos jardins da velha casa onde lembranças com asas conduziram-me a um passado assim, não tão distante quando os passos, que ainda eram macios, pisavam disciplinados, repletos de cuidados para não espantar as tímidas borboletas enquanto as mãos, que ainda eram delicadas, afofavam o terreno amplo, limpo e produtivo e semeavam , zelosas,  grãos de sonhos, de amores de cores de sorrisos Andei por onde os olhos, cheios, cheios vislumbraram um paraíso com pontes sem muros Andei pelos jardins da velha casa e apesar do corpo em brasa e desses pés já tão pesados e dessas mãos já calejadas as asas dessas lembranças em sobrevoo, à  alma lassa, devolveram  esperanças aos montes, com juros PELOS JARDINS DA VELHA CASA - Lena Ferreira - jan.15 *para a Oficina Inspiraturas - Por onde andei

GRÃOS

Andei por onde as mãos, as bem pequenas, pediam-me a atenção do dia a dia então, pausei o verso, o verbo e a pena e estendi as minhas mãos em companhia E nesta pausa, o vento e a brisa amena que fazem eco em minha  poesia estrearam, de fato, entraram em cena não como figurante ou alegoria E entraram com as mãos nessa andança onde serena fui, também criança, declamando  seus risos  de alegria Andei por onde todo o pé que alcança há de arar a terra em confiança pr’esses pequenos grãos de poesia GRÃOS – Lena Ferreira – jan.15 *para o projeto Inspiraturas - Por onde andei