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desacostumo

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sobre as coisas acostumadas planto um olhar diferente desviando-me dos rótulos em disposições aparentes apreçadas pelo tempo pelo vento do abandono pelo não que bate à porta pelo talvez dito em pressa   sobre as coisas acostumadas sob esse estágio sem trono enterro o sim da promessa desacostumo o seu dono num verso em estado bruto uso a calma que me importa: planto outro olhar, já sem sono, que fecunda o próprio fruto - Lena Ferreira -  

depois se deite

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*** senhor supremo nas suas andanças   temido por sua força estupenda cavalgue lépido à aventurança modificando tudo o que nos prenda apague a chama da desesperança aviva a calma e a paz; surpreenda! o mundo inteiro clama por mudança faça com que contigo, então, aprenda... pastor de nuvens, desafeto às folhas irmão do tempo, primo das escolhas semeador de marés e alforrias fundamental, e transmutado em brisa, abraça as almas e as sereniza depois se deite em algumas poesias - Lena Ferreira -  

sobre o voo

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* tudo era feito de uma calma regente desde os passos centrados, medidos até os olhos de brilho cingidos e aqueles lábios de riso contente que, sob o efeito, tudo fazia torrente desde os verbos pensados colhidos até os versos deitados, doídos e aquela doma do sopro indolente tudo era feito de uma calma em conquista dessas que não há quem proponha revista dessas que não há quem dispense vontade tudo era efeito de uma calma tão mansa dessas em que a alma inteirinha dança num viver, bem viver e viver de verdade - Lena Ferreira - 

DESVIO

Para desviarmos dos lamentos e dores, falaremos dessas cores vivas que, entre palmas, brotam nos olhos do dia-após-dia, aquarelando os rostos distraídos com as coisas pequenas que abraçam a alma. Para desviarmos dos lamentos e dores, fiaremos falas amenas nos lábios sinceros e, brandos, semearemos grãos de simplicidade no campo, o peito, onde é amplo o sentido das coisas pequenas que abraçam a alma. Decoraremos todo o canto esquerdo com o sussurro das flores bordadas de orvalho e em cada toque, o seu perfume macio e em cada gesto, o seu sereno tranquilo aquarelando os rostos distraídos. Para desviarmos dos lamentos e dores, falaremos dessas cores vivas, de flores, de vida e, simples, com c(alma). DESVIO - Lena Ferreira - mai.14