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Mostrando postagens com o rótulo soneto

sereno sorriso

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  enfim, a calma dos primeiros dias retorna, pouco a pouco, para casa que agora inspira um ar de harmonia e de puro frescor, não mais de brasa enfim, palavras claras e bem francas desmentem as verdades inventadas que deixaram borradas telas brancas dizendo tudo num dizer de um nada enfim, o fim da tempestade forte trovões e raios que deixaram à morte um sentimento mais do que preciso enfim, um novo rumo, novo norte num vento morno que restaura a sorte e traz de volta o sereno sorriso - Lena Ferreira - # serenissima # poeta # sorria # valeapena # poemasepoesias # lenaferreira # poetascontemporaneos # poesiascontemporaneas # literaturabrasileira # corujãodapoesia # joãodocorujão # cinecariocajoia # lenaferreiraquaseserena # ressignificar # recomeçar @lenaferreiraquaseserena @lenaferreiraincards

blues

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  ***   a voz que chama o vento é leve, e leve esparsa as nuvens de um pensar aflito enquanto o céu responde em tom bonito um blues suave, assim como se deve   que as águas desse mar tão exclusivo levantam-se em ondas, clara espuma daqui a observá-las, uma a uma remeto-me aos aplausos efusivos   à voz que chama o vento, pois merece no entanto, nem por isso se envaidece pensa somente no seu compromisso:   chamar o vento para que o céu cante seu blues suave que, às horas, garante um outro olhar à vida e um novo viço   Lena Ferreira

depois se deite

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*** senhor supremo nas suas andanças   temido por sua força estupenda cavalgue lépido à aventurança modificando tudo o que nos prenda apague a chama da desesperança aviva a calma e a paz; surpreenda! o mundo inteiro clama por mudança faça com que contigo, então, aprenda... pastor de nuvens, desafeto às folhas irmão do tempo, primo das escolhas semeador de marés e alforrias fundamental, e transmutado em brisa, abraça as almas e as sereniza depois se deite em algumas poesias - Lena Ferreira -  

e mais

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*** o vento traz, nos braços, novidade numa manhã de luz, de cor e festa já posso ver, pela janela, a fresta do novo ciclo, feito em claridade todo o ambiente aspira esse aroma o pensamento se refaz em viço e assim, renova o velho compromisso: sair, de vez, da incômoda redoma que impede o toque na realidade - mesmo que seja na adversidade preciso é inspirar esse bom vento que traz, nos braços, perfumes e flores e mais; promessas de curar as dores acumuladas ao longo do tempo - - Lena Ferreira -

afasia

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*** do outono que se vai, o que nos deixa desponta em certos fundos de quintais nas nuvens de algum céu feito de queixa semeia intermitentes temporais difícil o respirar do ar que pesa e lesa as folhas que clamam por vento rejeitam o argumento que despreza e rezam por um novo pensamento mas, só rezar bem pouco adianta o que fazer com o grito na garganta contido por coragem ou covardia? talvez o inverno traga-nos respostas talvez, quem sabe, as folhas mais dispostas possam virar-se e findar a afasia  - Lena Ferreira -

prova

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*** bem que tentei me ajustar ao mundo ser um bezerro a mais nessa boiada tangida por quem diz saber de tudo - quem diz saber de tudo, sabe nada - bem que tentei acompanhar os passos dos pés que alicerçaram o paraíso mas, percebi pelos tropeços crassos: provar do inferno também é preciso bem que tentei provar, a todo custo, o meu motivo, mesmo tolo, justo quanto a vazão quando a mente engravida tentei provar, por muito tempo e tanto agora, experimento este entanto: se é pra provar, melhor provar é a vida! - Lena Ferreira -

insolência

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** que Deus me livre do título 'santa' mesmo porque não importo a conduta: conter o grito que vai na garganta comer e não lambuzar-me com a fruta beber um gole só do que me encanta frear o passo que me leva à luta falar somente aquilo que acalanta que Deus me livre - sigo resoluta nessa postura entre o cai e o levanta trago distante o querer-me impoluta bem sei que o verso oscilante espanta mais se oscila entre o mel e a cicuta - mas, Deus me livre do pejo que canta; dispenso a santa que filha da puta - Lena Ferreira - 

quem sabe

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eu nunca digo nunca, isto é certo, pois penso que o nunca é calvário é peso morto, é desnecessário é palavra que, longe, traz pra perto uma distância que não se imagina e uma certeza que não é bem certa e fecha a porta que queria aberta e abre, à força, o que não se domina que chamo teimosia, simplesmente: o nunca, como nunca, livremente passeia pelas línguas, a seu jeito mas, digo, vai rendido aos costumes pois se deitarmos, na razão, o lume veremos no 'quem sabe' mais proveito quem sabe - Lena Ferreira

à outra pauta

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da dúvida plantada no espaço onde se debruçavam os meus dias colhi, certeiro e claro o teu pecado que, impávido, privava a alforria do meu, embora curto e tão lasso, vivido de tentar, noites e dias de tanta tentativa, acabrunhado desfez-se em rima pobre, quem diria mas não desisto fácil, estejas certo embora assim desfeita do deserto embora ainda assim, um tanto incauta remeço o passo, então chego mais perto futuro um horizonte, então desperto, e entrego minha certeza à outra pauta - à outra pauta - Lena Ferreira - 

importa

volta o mar com suas ondas fartas a se instalar num peito já sem susto e acomodado assim, sem muito custo, revisa o aviso das náuticas cartas que navegar por águas tão difusas pode não ser assim de mau um todo importa o vento a desviar do lodo das algas e areias mais profusas importa a brisa próxima ao juízo pra derrubar com seu sopro preciso essas muralhas que a vida oferece importa a chuva do verbo conciso lubrificando, sempre,  o seu sorriso e todo o resto, esquece, esquece...  - Lena Ferreira -

ANIMA

Dai-me ouvidos límpidos para a escuta do poema que a vida me apresenta e a palavra delicada que apascenta um novilho tosquiado à força bruta Dai-me mãos cooperativas na labuta e a gota de suor que acrescenta um grãozinho nessa caixinha cinzenta e os pés capazes na boa conduta Dai-me olhos que, além de ver, enxerguem o equilíbrio e os ombros que se erguem independente do peso oferecido Se peço muito, dai-me força - esquece o resto -  para casar cada palavra com seu gesto e a leveza de um peito agradecido  ANIMA - Lena Ferreira - *
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o dia acorda e que não seja mais um dia só um dia a mais para cumprir o calendário que seja novo o pensamento e, o itinerário, que me conduza ao equilíbrio, à harmonia que eu consiga enxergar a poesia solta nas ruas, nos olhares, cantos vários e, como alguém que ouve o som de um Stradivarius, que eu sinta, em cada nota, a nova a sinfonia de toda voz que se achegar aos meus ouvidos - de gratidão, lamentos, queixas ou pedidos - que eu possa ouvir com muita calma e sem censura o dia acorda virgem e, com um brilho franco, é como extensa folha de papel em branco que pede escrita leve e verbos de ternura  - Lena Ferreira - *

CANTO PRIMEIRO

Cessa o vento quando o canto ecoa em sibilos dos mais vários cantos a cantiga que o instante entoa contagia os corações, os tantos Que vagavam pela vida estreita ressentidos, como bandoleiros com suas liras em dores suspeitas iam surdos ao Canto Primeiro Cessa o vento - no efeito das notas os sentires tomam outras rotas olhos passam a enxergar bem mais os ouvidos, muito mais sensíveis, abrem-se para os sons aprazíveis dos sibilos que lhes trazem paz - CANTO PRIMEIRO - Lena Ferreira -

BRISAM-ME

Enquanto anoto as notas que a noite traz nem noto o tempo que me olha tão atento pudera, ando distraindo-me com o vento com os rodopios que seu movimento faz Nas luas que vão descuidadas, vou assaz buscando um novo ritmo pro pensamento na contradança, pauso a lira em contratempo com passos de tocar na noite o que me apraz E quando chega a vez das notas madrugadas - aquelas que contêm estrelas já suadas pelas distâncias percorridas céu afora – Me pego olhando a quem me olha tão tranquilo seus olhos deitam nos meus olhos sem sigilos suas notas brisam-me com beijos que demoram BRISAM-ME - Lena Ferreira -

DIA APÓS DIA

É nessas horas em que o sol sai do seu berço e se prepara pra mais uma reestreia sem se importar com convidados ou plateia que, refletindo no seu gesto, amanheço Saio da cama, me espreguiço e bebo um terço do sopro bom com notas frescas de azaleia o outro terço, é do café que acorda a ideia um banho fecha o ritual e agradeço Sigo à rotina - livros, provas, exercícios - onde o final ainda parece com o início onde o cansaço vem tentando uma vaga E nessas horas, miro o sol no seu ofício: por mais estranho que pareça, e mais difícil, dia após dia, reestreia e não se apaga DIA APÓS DIA - Lena Ferreira - mai.15

RELEVE

E diante daquilo que lhe cerceia não vale a pena a plena ocupação se sim, há de prender-se numa teia viscosa onde não mora a redenção Releve o dito, o feito e prateia as mãos, os pés e o peito em oblação absolvendo assim o que permeia nesse espelho de compleição Instantes haverão de breve estio bem capaz que por isso sinta frio enquanto outros se cobrem de razão Mas, diante daquilo que lhe quer rente demonstre, com semblante sorridente, o que revela a alma ao coração RELEVE - Lena Ferreira - mai.15

A ESTUFA

Uma estufa que só orvalho produzia recebeu o suave sopro de um bom vento renovando o ar com nobre sentimento acordou a rica semente que dormia Ia alta a noite, mas bem parecia que o sol havia entrado porta adentro vicejando raízes, talos e o centro respondendo como quem amanhecia Da semente fez-se muda e, germinada, gerou outras mudas, todas replantadas onde a florescência tende à fartura A estufa que só produzia orvalho hoje está replena em flor e cada galho, grato ao vento, exala essência de ternura A ESTUFA - Lena Ferreira - mai.15

NESSAS NOITES

Nessas noites de tortura em páreo exílio até o vento vem vestido de galopes a distância e o silêncio são dois golpes na saudade que no peito já fez trilho Fora o vento, parece nada se move além destes olhos cheios de estrelas resguardando o orvalho pra não entristecê-las mas, parece que o céu todo se comove Comovido, faz do vento doce brisa que, tão doce, chega e logo me avisa das notícias, dos rumores mais precisos E, rompendo a tortura do exílio páreo, essa brisa trouxe o gosto necessário às lembranças que acordaram meus sorrisos NESSAS NOITES - Lena Ferreira - abr.15

RECOMEÇOS

Enquanto a noite avança inteira em calma meus passos levam-me à beira de um lago onde respiro do instante um trago e estaciono as dores de minha alma Um vento morno, cheio de ternura vem e abraça o meu pensamento tão delicado, desfaz meu tormento e enche meu peito de paz e brandura Nesse momento, paciente desfaço os nós da trama que, em embaraço, traziam-me recorrentes tropeços Refeitos fios, alivio no peito um pensamento leve, à mente, ajeito: a vida é teia eterna em recomeços RECOMEÇOS - Lena Ferreira - abr.15

VERSUS PATHOS

Se o intento é me entender, esqueça os versos: são, muitas vezes, verdades que invento quando ouço estórias de nuvens, de ventos, de espelhos d’agua, de fatos diversos Se o intento é me entender, vem que converso; olhos nos olhos, mãos no pensamento mas, não sendo possível, só lamento a impressão passada em controverso (teimosa em escrever versos doentes que ora choram, ora vão contentes deixo sinais de insano transtorno) Mas, se quer me entender, volte às quadras: primeira e segunda bem se enquadram à realidade onde não cabe adorno VERSUS PATHOS - Lena Ferreira - abr.15