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Lá fora, o mundo tá um caos, é certo. Mas, aqui dentro não é muito diferente. A gente ameaça explodir mil vezes. E, quando explode, perde a cabeça. Ou seria o contrário? Sei lá... E não é raro. Aí, meu caro, o que foi já era. Espera a calma voltar noutro itinerário. Não há mais como voltar atrás. Nada há, aliás. O que passou, já não passa mais. E, se insistir, o presente amarrota a rota, o rumo, o lema e a lima desafia, perde o corte e chama a morte para a vida. Em vida. Lá fora, o mundo tá um caos, é certo. E o que eu disser não vai mudar o mundo. A não ser que o que eu diga, eu faça. Que não passe de mais uma ameaça. A não ser que o que eu diga, exploda o motivo em ação. Enquanto não, sim, me concentro nessa viagem, não menos caótica. Olho no ego, como diz-me a ótica. Caos por caos, ainda prefiro viajar pra dentro. - Lena Ferreira -
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o dia acorda e que não seja mais um dia só um dia a mais para cumprir o calendário que seja novo o pensamento e, o itinerário, que me conduza ao equilíbrio, à harmonia que eu consiga enxergar a poesia solta nas ruas, nos olhares, cantos vários e, como alguém que ouve o som de um Stradivarius, que eu sinta, em cada nota, a nova a sinfonia de toda voz que se achegar aos meus ouvidos - de gratidão, lamentos, queixas ou pedidos - que eu possa ouvir com muita calma e sem censura o dia acorda virgem e, com um brilho franco, é como extensa folha de papel em branco que pede escrita leve e verbos de ternura  - Lena Ferreira - *

ITINERÁRIO

Lá vai mais um pensamento aos lugares de abandono como folhas de outono carregadas pelo vento Lá vai com seus passos lentos e razão que não tem dono vai numa noite sem sono vai cumprir o seu intento E no breve itinerário colhe os fatos mais vários guardando-os em um surrão No retorno à sua casa esses fatos, já com asas, pousam na inspiração  - ITINERÁRIO - Lena Ferreira - abr.15 

POR DIREITO

Se durante uma batalha não atinjo minha meta sigo em frente, linha reta consciente dessa falha Levo o bom aprendizado que nem sempre o que se visa é o que se mais precisa; facilito os pés, cuidados Posso até sair de cena aparentando cansaço mas não me rendo ao fracasso; minha alma não é pequena Num descanso necessário repenso minha conduta retornando, logo, à luta com um outro itinerário Há vezes, insistir parece inútil considerado o desgaste e o preço pago pelo que nem sei se mereço vestindo, às vezes, um motivo fútil Contudo, desistir é covardia diante de qualquer objetivo da luta, que me faz mais vivo; da luta que me faz ver poesia Eis a certeza que alimento, enfim: por mais cansado que esteja meu peito tudo aquilo que for meu por direito encontrará um jeito de chegar a mim POR DIREITO – Lena Ferreira – jul.14