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SINAIS

Era tarde. Horas altas. Após considerar as tantas faltas, abriu a porta gradeada que dava para a varanda e com passos decididos, cruzou o curto espaço que a separava do portão de ferro, preso ao muro já sem reboco, prestes a cair. Firme, empurrou a tramela e alcançou a rua comprida e escura. Consigo, levava somente a roupa do corpo e uma breve sensação de liberdade que há muito não experimentava.  Deixou a chave pendurada na porta, por dentro. A mala, desfeita, jogada aos pés da cama e, encostada à mesa do canto da sala, uma história incompleta a qual decidira não escrever mais. Respirou fundo e seguiu em frente sem olhar para trás. A cada passo dado, rememorava os dias, os meses e os anos entre planos desperdiçados e desenganos com os quais, consciente, permitia, pouco a pouco, se anular.  Uma única lágrima ensaiou alisar o seu rosto magro por todo desgosto passado. Mas, passou e porque sobrevivera até ali, engoliu. Não seria a vez primeira. Mas, a última, jurara. ...