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NO INVERSO

Enquanto lhe procuravam entre as cores desbotadas e sombrias dos mais estranhos e arrastados dias só olhavam, mais não viam Enquanto lhe procuravam entre as folhas desmaiadas e frias dos outonos mais extensos em agonias só olhavam, mais não viam Enquanto lhe procuravam entre os enredos mais doídos e insanos das prosas volumosas em enganos só olhavam, mais não viam Enquanto lhe procuravam entre as redes de grosseiras texturas bordava suavidades e canduras só, no inverso que não viam NO INVERSO – Lena Ferreira – set.14

MAIS UM DIA

Convida-me a beber cada segundo do momento. Aceito. Ajeito os cortes recorrentes do defeito e sinto o efeito de uma brisa conivente: cauteriza-me as feridas; se não sangro, esqueço. Aqueço o verbo com seu caloroso abraço e meus pés, antes cansaço, pisam tímidos no mar. É cedo e a água fria arrepia a alma em pelos e o vento nos cabelos é como um apelo à razão. Desperto. Mergulho breve, respiro certo, penso mais leve; a calma, perto. Lavo o inverso e o avesso. É mais um dia no Universo.  É mas um dia e eu agradeço... MAIS UM DIA – Lena Ferreira – mai.14