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de verbena e lírio

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*** não há portanto no instante resistente nem mais saudade de torpor insustentável e os defeitos exclamados pelos tantos são devaneios de Pandora aborrecida não há mais vento, ventania ou tempestade nem mais marés em tantos cantos insistentes por entre as veias, corre um rio fresco e manso e uma brisa morna embala os pensamentos não há mais grito no enquanto tão silente nem mais sussurro acordando a lua avulsa das mãos exala um misto de verbena e lírio e os pés, por hora, tocam levemente o chão - Lena Ferreira - 

QUARTO CRESCENTE

A noite deitou calma nos olhares fim de outono quase inverno, cobertos por quereres vários e vontades  já sem sono. Entre carícias macias e afagos sussurrados pouco a pouco iam sendo satisfeitos e a mansidão da fala aconchegava-se nos dois peitos. A brisa, que brincava na janela engordando as cortinas, escapou por uma das beiras, rodopiando faceira por toda extensão do quarto animando o seu crescente. A lua ao ouvir tanto alvoroço, esticou-se à janela para contemplar a imagem. Encantada com com o que viu, estendeu na madrugada um véu todo salpicado de pedrinhas rutilantes. E para completar a cena, solicitou ao vento do instante que soprasse um doce aroma de rosas, alecrim e de verbena. Atendida prontamente, cada canto desse quarto era de puro perfume e o lume vaporoso que trazia, cobria esses olhares com grandeza em ternura que a noite adormeceu amolecida, perdendo o  encontro com a aurora . Ao acordar, pensou mesmo em ir embora mas logo percebeu que já era hora... era hora de...