AMPULHETA
Qual um punhado de farelo de centeio o tempo escorre fino pelos vãos dos dedos e não há como desvendarmos o segredo - se existisse -, para colocar-lhe um freio O vento sopra mesmo e, sem nenhum receio, espalha o pó dos grãos do tempo e os seus medos são semeados junto aos enganos ledos em solo vasto e produtivo - e alheios à essa trama, ao desperdício, aos desenganos, andamos todos , insensíveis, sub-humanos tentando refrear a areia da ampulheta... ...para ganhar grãozinhos dessas horas úteis depois gastá-las com assuntos bobos, fúteis enquanto, o que de fato importa, obsoleta - AMPULHETA - Lena Ferreira - dez.14