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blues

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  ***   a voz que chama o vento é leve, e leve esparsa as nuvens de um pensar aflito enquanto o céu responde em tom bonito um blues suave, assim como se deve   que as águas desse mar tão exclusivo levantam-se em ondas, clara espuma daqui a observá-las, uma a uma remeto-me aos aplausos efusivos   à voz que chama o vento, pois merece no entanto, nem por isso se envaidece pensa somente no seu compromisso:   chamar o vento para que o céu cante seu blues suave que, às horas, garante um outro olhar à vida e um novo viço   Lena Ferreira

SUAVE É A NOITE

Suave é a noite enquanto descansa em lânguidos ares no seu romantismo vapores de sonhos, de outras andanças fascinante entrega num inteiro intimismo Que cresce e cresce enquanto avança a noite suave livre de eufemismo conduzindo a alma além do que alcança seu corpo desperto no seu conformismo Suave é a noite e enquanto desfila no céu, negro manto, serena e tranquila salpica estrelas bem sobre seu leito Pra quando acordar, toda suavidade deite nos seus olhos em serenidade e encontre aconchego dentro do seu peito SUAVE É A NOITE - Lena Ferreira - mar.15

REFRÃO

Enquanto os pés descalços distraíam-se com a areia fina das margens do Araguaia, uma voz suave, macia acariciava um passado ainda recente onde uma chalana cortando as águas serenas do rio, levava para longe aquela morena que tinha em seus braços, agora com os olhos empoçados de mágoas(com razão, a voz dizia), partindo em dois o seu peito. Numa conversa amena com a brisa e a paisagem, confessava lamentoso seus graves pecados: não havia cuidado como merecia. Não havia amado como deveria. Não havia o efeito transver o defeito no dia após dia. O jeito, por hora, era um canto mais calmo pois quando o rio alcança a curva não tem mais volta e a revolta não adianta nem um palmo. Então, abraçado à viola, inseparável companheira, dedilhou as notas daquela canção onde o refrão trazia a alma à garganta: “É preciso a chuva para florir...” E enquanto tocava suave a melodia, bem de levinho essa voz chovia. REFRÃO – Lena Ferreira – ago.14