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PARA ARIADNE

Num labirinto estreito, letras seguem decididas na busca por uma palavra de estreia. Desafiando mitos, dialoga com os fantasmas nas lacunas pontilhadas rimando os ramos de rumores ralos com os rumos rasos das alucinações lunares. Enquanto um silêncio gentil e sincero solicita um fiapo que seja do novelo de fazer sentido, essas letras estendem as suas mãos, vazias de fio e de medo, e os dedos, cheios de teimosia. Que tateiam as estantes voláteis. Com as retinas embriagadas pelos ácaros imersos nos goles do extinto vinho, insistem nessa sina estranha. Trôpegas, esbarram em becos, bocas, bicos e quinas. Derrubam os olhos em alguns livros, grossas laudas seculares e, vestindo suas capas, retas, rotas e mofadas, incorporam feiticeiros, mestres, magos, adivinhos. Ressuscitam umas palavras mortas, retiram-lhes o ranço e o cansaço e, vicejando-as nas entrelinhas, essas letras todas zonzas, todas tontas, todas tortas, quase, quase encontram a porta... Mas, para Ariadne, mil esforços ...