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quem há de ouvir meu grito quase, quase mudo que corre pela mata em dores de agonia   a mesma mata que nos pertencia de onde tiraram quase, quase tudo das nativas árvores ao infinito espaço restou bem pouco e pouco a cada dia da caça, bem colhemos o cansaço de retornar com as mãos quase vazias colonos há que muito tempo trazem doenças não civilizadas na bagagem arcos, flechas, mortes, penas misturam-se à pena será que o futuro, perto, nos condena? quem há de ouvir meu grito do dia após dia que, mudo, põe a boca aos pés da poesia? * - à proposta NÃO TEMA O TEMA do Terça ConVerso no Poesia Simplesmente de 18/04/2017 -
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numa noite como essa todo vento tem manias todos eles têm certezas nenhum deles têm juízo cheios de manhas e lenhas desvendam as senhas da lua abrem portas e janelas com lufadas sobre o estio - alma nua é passarela para beijos e arrepios - numa noite como essa todo verbo é improviso

em sucessão

pudesse, dar-te-ia esse silêncio sacrossanto que tanto e tanto e tanto, insistente, solicitas num quase desespero que me faz plantar certezas nas dúvidas discretas com colheita garantida capaz de encher um silo com os grãos das mudas falas que andam pelas salas qual correntes sem cinzel mas, hão de concordar com este sim, ser injustíssimo que venhas, persistente, me pedir o que não tenho embora o desempenho faça-me mover os céus regresso com excesso de insucesso em sucessão pudesse, dar-te-ia ainda mais do que me pedes dar-te-ia esse silêncio e outros tantos, todos, tudo... mas, falta-me a vontade para abandonar a sede e a sede que me grita, é infinita e eu não mudo deixando o que me impede revelar-se pelos véus - Lena Ferreira -