DA LONJURA
Há, nesse silêncio que escuto aflita, um tanto da escrita lisa, lassa e suspensa que desafia a gravidade dessas coisas todas: penso que me encontro onde penso que me perco Circulo o cerco, teimo e não me desvencilho como um novilho que pastoreia nuvens e lobos apresso a pressa, o agito, o grito quase irascível previsível deságue em passadas tempestuosas Ruidosas quedas que o silêncio prontamente num tom eloquente espia e se assenhora de todas as falas, gestos e em todas as línguas segue e me penitencia em brandíssima censura E da lonjura que sempre me impossibilita responder com ternuras e afagos, afogo a voz - mesmo sendo mar, um oceano me devora no exato instante em que esse silêncio fala - DA LONJURA - Lena Ferreira - mar.15