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DESEMBARQUE

Das viagens feitas com um só destino, despachei certas bagagens sem descuido. O conteúdo fora conferido atentamente ordem a ordem. Não há nada nos Achados & Perdidos. Tudo o que está contido possui autonomia de voo. Trago o mesmo sorriso guardado no bolso dos lábios. Ainda se abre facilmente ao mínimo aceno das delicadezas mornas e improvisadas. O vento é outro. É outra a brisa. O mar, suspenso. Não há estrelas, é dia. Lembranças chegam como um bálsamo aerado entre sussurros. Rasgam o bolso em risos de  canto a canto. E debulham as pétalas da alma arredia. E alisam a calma em conquista suave. Acaricio a lista das permanências e, respirando mais leve, flutuo. Pouso sob um céu reconhecido que me abraça e me faz blues.  Sopros sibilantes trazem para perto, vozes e vozes equidistantes. Desembarco. Entre os diálogos tranquilos e sem pressa. Saudade é bicho que se mata devagar. DESEMBARQUE - Lena Ferreira - mai.15

NAS MANHÃS VERDES AINDA

Nas manhãs verdes ainda os seios das sementes trazidas pelas aves amamentam  a sutilíssima promessa em juras de colher diálogos claros de vento isentas, assistem ao ensaio   de uma brisa que adolesce, risonha  e macia enquanto sussurra umidades para o campo ervado estranhamente em brevidades e hiatos tudo é espera suave adubo, rega, zelo e capina Nas manhãs verdes ainda o sol, preocupado, se ocupa a mais nessa campina: amadurece a brisa e amortecendo os silêncios graves a promessa da colheita logo está pronta a ser cumprida NAS MANHÃS VERDES AINDA - Lena Ferreira - mai.15