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Mostrando postagens de Maio, 2017

à outra pauta

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da dúvida plantada no espaço onde se debruçavam os meus dias colhi, certeiro e claro o teu pecado que, impávido, privava a alforria

do meu, embora curto e tão lasso, vivido de tentar, noites e dias de tanta tentativa, acabrunhado desfez-se em rima pobre, quem diria

mas não desisto fácil, estejas certo embora assim desfeita do deserto embora ainda assim, um tanto incauta

remeço o passo, então chego mais perto futuro um horizonte, então desperto, e entrego minha certeza à outra pauta


- à outra pauta - Lena Ferreira -

extremos

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tínhamos os meios mas, absurdamente, optávamos pelos extremos: trêmulos temores dúvidas exatas clausuras insensatas greve à sensatez que, por sua vez, maculando o instante trocava o constante por outro talvez


- Lena Ferreira -

cor de fogo

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é um mar esses teus olhos cor de fogo acesos incensos seculares olhares que vagam pelo corpo poemas, dois dos espetaculares
em ondas que chamam, atrevimento em notas de fina quintessência são folhas dançando contra o vento com passos beirando a excelência
é um mar esses teus olhos cor de fogo que acendem o rubor da minha tez ah, se eu permaneço nesse jogo bem certo é que me afogue de uma vez


- Lena Ferreira -

e 'stato già scritto

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mas, estava escrito que assim seria se te esquecesse, reencontrar-te-ia não diferente do ser que lembrava  indiferente ao constrangimento
que lembrança certa, imune ao degredo, desperta e esperança o reconhecimento e acorda os medos tão bem conhecidos dos tempos idos - salvo engano ledo -
mas, estava escrito que assim seria:
eu compondo loas que dedico ao vento tu dispondo afinco ao distanciamento

- Lena Ferreira -

quando tu vens

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sei bem quando tu vens antes mesmo de chegares a faceirice dos olhos ruboriza ondas variantes pelas curvas e setas indicando o porto certo mostra-me um cais seguro de atracação
sei bem quando tu vens a brisa mole traz o teu perfume lenta, a mente queda os pensares e a alma desmaia em sensações imprevistas, surpreendentemente
sei bem quando tu vens pássaros cantam ao longe anunciando a tua chegada asas cansadas de voos incertos por nuvens densas, carregadas de ais
sei bem quando tu vens o vento para e, no vão do seu silêncio, o teu silêncio me fala bem baixinho da paciência em reserva que é amar
sei bem quando tu vens e antes de chegares, eu me apronto pausando a ansiedade, eu me deito na tua calma que traz bem e mais


- Lena Ferreira -

licor

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ouço o teu instinto borbulho voraz que embriaga a paz tal qual vinho tinto
que desta vez perfaz o momento exato do ambiente intacto onde, em mim, te sinto
- náufragos desejos afogam-se nos beijos -
perfume de lírios exalando, apraz ciciando o mais chama o arrepio
e outra vez perfaz com o mesmo impacto mas, tão, tão distinto que, completo, em paz espasmado, jaz o licor do cio


- Lena Ferreira - excerto do livro "Dedo de Moça"

atrasa

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pouco adianta apontar o defeito observado no comportamento de quem caminha contrário ao seu vento e que não pousa a mão no mesmo peito
pouco adianta o vago julgamento que, inútil, tenta imputar o efeito de que o outro siga o mesmo jeito que enxerga a vida e tome o seu assento
pouco adianta indicar-lhe a trilha que toda trilha é feita amiúde em passo estéril ou passo fecundo
pouco adianta dar-lhe uma cartilha dá-lhe o exemplo em cada atitude *seja a mudança que quer ver no mundo
- Lena Ferreira -

*Mahatma Gandhi

e, quando me poesia

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és tal qual seda que, macia, nirvaniza, num abraço, o broto de ventania que plantei em um mal passo
és tal qual brisa que alivia o peso do meu cansaço no findar de cada dia sobre tudo o que não faço
ah, tanges toda a agonia dessa nuvem algodoada no céu que te apropria risca a estrofe calada
e, pra nossa alegria, chove a rima esperada - e, quando me poesia, eu não preciso mais nada -



- Lena Ferreira -

dois ímpares estranhos

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dois ímpares estranhos em provável  reconquista noite média, em lua alta alta e cheia e imprevista
mesmo céu, órfão de estrelas divagando, corpo-espaço bebendo da  maresia
como as ondas, tempo-esparso língua entranha, essa que minha liquefeita e inquisitiva assunta o peso da lida escrita
e, à pergunta em descompasso pela pressa nada urgente sussurrando em tom de brisa tão modesto e complacente, me dita:
“corte a barriga da vida”
- Lena Ferreira -

crédito da imagem: Jorge Ventura
referência textual: http://www.citador.pt/textos/escrever-e-triste-carlos-drummond-de-andrade


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reestreia nesse palco azul ardente, embora discreto, e o fato por si só é motivo pra festa
um evento calado sem flashes ou confetes às janelas abertas
mas, ah, o seu autógrafo é uma notícia certa nas folhas da derme das gentes despertas


- Lena Ferreira -
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e, nos instantes que já não preciso, colhi manhãs um tanto prematuras para enfrentar as partes mais escuras das noites que ergueram um paraíso
com um sono pouco mais que improviso o riso quase era caricatura no peito, fundo tal qual sepultura, dormiam a fala, a razão, o juízo
- por conta do enterro de alguns sonhos despejei, pelos olhos, um infinito desesperando a vaga do contrito -
mas neste instante, onde me disponho bem diferente do que fora escrito, futuro a vida num tom mais bonito


- Lena Ferreira -
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toma-me o corpo já que a alma nasceu tua antes mesmo da existência das horas em que anoiteço
na ausência onde me esqueço vez ou outra por cansaço teu abraço é meu descanso tua boca é um berço manso
onde dorme o teu silêncio há um canteiro da palavra que lava, que leve, que livre livra a língua dos pudores que estrangeiravam as luas
- toma-me o corpo já que a alma é livre, e sua -



- Lena Ferreira -
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acordar a noite para um papo ameno sentindo o sereno descer tão macio
nem sentir o frio que já se anuncia nem lembrar do dia vivido em açoite
acordar a noite e namorar a lua que vai seminua desfilando, bela
ah, o brilho dela lembra os olhos teus deitados nos meus acordando a noite


- Lena Ferreira -