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NO ESPELHO

Acho graça quando a imagem se alinha e aninha as vestes de um vento suposto à crueza do rosto, dos fatos e dos ritos benditos e, despindo suas comiserações, costura uns remendos, fiapos do tempo nas lembranças inóspitas e arrefecidas aliando o roto reverso ao avesso da pena É uma graça pequena que não ri nem chora pelo ofício flácido de ninar as plangências e as emergências dos reflexos que refreiam   debruçados no compasso do sossego volátil à beira do berço largo  onde a mente divaga na vaga observância de incautas urgências que no vento depositam as marés de desgosto os azares dos vazios, as tardes de sorrisos as noites sem juízo, os dias de procura, os voos em clausura, mesuras e pirraças Acho graça quando a imagem se alinha e aninha as vestes que, despindo-me, não vejo no espelho, não rio nem choro; solfejo NO ESPELHO - Lena Ferreira -