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luzeiro

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    ...     em onda rasa ou profunda lança o anzol, um luzeiro pescando as ilusões do mundo   - barquinho em mar agitado remando contra a maré -   balaio cheio de ventos é isca para vazantes antídoto à anestesia alívio à agonia   um verso preso à garganta clamando pela alforria do verbo que não fecundo se atira na maresia e adere aos pelos da alma   ah, pescador de ilusões, comprova que vale a pena: lança o anzol bem no fundo, da calma que vai pequena - Lena Ferreira -

ferreira

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... quisera ter nascido aço mas, minha mãe me fez ferreira: parto seco quase lasso quase rio em ribanceira forjo o verso pelas margens lambo as pautas derradeiras ardo chamas quase abismo quase seta sem ponteira alvo certo, não acerto: corto o vento que se agita airo o velho pensamento da brisa que regurgita verbos caros, dedicados a quem não ainda desperto quisera ter nascido aço mas, minha mãe me fez ferreira: forjo o verso e, num abraço, abrigo as almas inteiras - Lena Ferreira - 

plantação

antes de ser verbo o verso é espada e escudo entre os dias, o nada e o tudo vasculhado pelo seu reverso antes de ser verbo o verso atravessa o mundo bebe o raso e fala ao fundo descompacta o todo imerso antes de ser verbo o verso é só fragmento é como pingo no pensamento em semente; pede plantação antes de ser verbo o verso é fruto que espera por aquela mão que prepondera ao colher, pura, a inspiração - Lena Ferreira -

CIRCULAR II

A mão na caneta a caneta na folha a folha nos olhos os olhos pra fora o fora pra dentro o dentro na mente a mente no verbo o verbo na alma a alma no verso o verso na folha a folha no vento o vento nos olhos os olhos na mão CIRCULAR II - Lena Ferreira -