DE ONTENS
De ontens, trago direções diversas grafitadas nas paredes da memória acrescentando sentidos ao curso da vida ninguém viu o grafiteiro pular o muro embora todos saibam de sua existência perambulando os instantes, cauteloso conferindo verdade às fotos, aos mitos e aos ditos, efeito prático e irrevogável e embora alguns fatos permaneçam ocultos seus vultos acenam gestos e verbos distintos nada se passa sem que ele perceba, nada não há espaço que escape de suas mãos habilidosas, vão grafitando os corrimãos dos segundos escorridos mais discretos entre o ciliar dos olhinhos distraídos ou dos cochilos entre um sim e um talvez e enquanto vou deitando a minha escrita debruçada nessas tolas considerações seu hálito ciciando leve e liso tinta um gemido como aviso: vou grafitar isto também... DE ONTENS - Lena Ferreira - jun.15