segunda-feira, 8 de junho de 2015

DE ONTENS

De ontens, trago direções diversas
grafitadas nas paredes da memória
acrescentando sentidos ao curso da vida
ninguém viu o grafiteiro pular o muro
embora todos saibam de sua existência

perambulando os instantes, cauteloso
conferindo verdade às fotos, aos mitos
e aos ditos, efeito prático e irrevogável
e embora alguns fatos permaneçam ocultos
seus vultos acenam gestos e verbos distintos

nada se passa sem que ele perceba, nada
não há espaço que escape de suas mãos

habilidosas, vão grafitando os corrimãos
dos segundos escorridos mais discretos
entre o ciliar dos olhinhos distraídos
ou dos cochilos entre um sim e um talvez

e enquanto vou deitando a minha escrita
debruçada nessas tolas considerações
seu hálito ciciando leve e liso
tinta um gemido como aviso:
vou grafitar isto também...


DE ONTENS - Lena Ferreira - jun.15


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