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Mostrando postagens com o rótulo poema

ao leitor

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  louvo os versos de todo dia que a alma poética alimenta pão para o poeta, a poesia é como água pra boca sedenta    louvo poemas de nostalgia e de amor, que o peito arrebenta louvo, e com imensa euforia, o poeta primeiro que tenta   embalar, e abalar, com seu canto e aos leitores dispostos a ver tudo o que sua alma carrega   encantada, eu louvo um tanto ao sensível que põe-se a ler o que só com a alma se enxerga -                                                                                             ...

desacostumo

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sobre as coisas acostumadas planto um olhar diferente desviando-me dos rótulos em disposições aparentes apreçadas pelo tempo pelo vento do abandono pelo não que bate à porta pelo talvez dito em pressa   sobre as coisas acostumadas sob esse estágio sem trono enterro o sim da promessa desacostumo o seu dono num verso em estado bruto uso a calma que me importa: planto outro olhar, já sem sono, que fecunda o próprio fruto - Lena Ferreira -  

ciclo

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        ...   ando a observar as nuvens, tantas, e viajo com as imagens bem criadas: tão etéreas, soberanas, instantâneas e que num piscar de olhos se transformam se desfazem, se refazem e me fazem comparar com a vida que, tão breve, que, num sopro, num suspiro, escapole e engole certos planos - por enganos, por seus danos, chovemos... -   mas,    - graças -   como as nuvens, tudo passa     e o ciclo, então, recomeça. - Lena Ferreira -

quase reza

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*** são calmos os versos nascidos nessas últimas horas inverniças: quase salmos, quase preces, quase reza, quase um acalanto - calmos - tão calmos que não choram apesar do frio tenso, o vento intenso e a palmada do pós parto; se aquecem, agasalhados por estrelas  e pelo canto... ...que nina cada verso com zelo profundo e, pouco a pouco, apresenta-os ao mundo    – Lena Ferreira –  

na varanda de minhas vontades

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  ***   plantaste sementes fecundas na varanda de minhas vontades - até então, adormecidas - e, diuturno, zeloso na rega, umedeces a terra dormente fertilizando o entorno com palavras tenras, ternas - eternas -   - Lena Ferreira -

antes que a noite adormeça

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*** antes que a noite adormeça, intuo, virás quieto e assaltarás o meu sono esse mesmo que bebi com os olhos das esperas secretas, sensíveis, cordatas, fragmentadas por um espelho distante aromado por fragrâncias sutis e seguras pigmentado em textura de suave anis e, debruçado na varanda destes seios, aspirarás todos os versos que te fiz e resguardei debaixo dos desassossegos por entre as notas do que ficou por dizer e, alimentado tenra, intensa e fartamente, descansarás esses teus lábios nesta sede que os beberá com a mesma calma imprevista - e a mesmíssima urgência propícia - desses deságues que engravidariam nuvens não fosse o vento das vontades que as dissipam antes que a noite adormeça, intuo, virás quieto e assaltarás o meu sono... ...e devolverás o meu sonho. - Lena Ferreira -

de verbena e lírio

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*** não há portanto no instante resistente nem mais saudade de torpor insustentável e os defeitos exclamados pelos tantos são devaneios de Pandora aborrecida não há mais vento, ventania ou tempestade nem mais marés em tantos cantos insistentes por entre as veias, corre um rio fresco e manso e uma brisa morna embala os pensamentos não há mais grito no enquanto tão silente nem mais sussurro acordando a lua avulsa das mãos exala um misto de verbena e lírio e os pés, por hora, tocam levemente o chão - Lena Ferreira - 

luzeiro

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    ...     em onda rasa ou profunda lança o anzol, um luzeiro pescando as ilusões do mundo   - barquinho em mar agitado remando contra a maré -   balaio cheio de ventos é isca para vazantes antídoto à anestesia alívio à agonia   um verso preso à garganta clamando pela alforria do verbo que não fecundo se atira na maresia e adere aos pelos da alma   ah, pescador de ilusões, comprova que vale a pena: lança o anzol bem no fundo, da calma que vai pequena - Lena Ferreira -

às águas das horas

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*** desse agora que flutua sobre nós tudo sei e pouco faço: mergulho no afluente de um regato e entrego, às águas das horas, as demoras e os cansaços os rechaços e os naufrágios os presságios e os preceitos - senhoras imparcialíssimas nesse pleito hão de convocar nascente e foz -  emerjo e, percorrendo as margens, desaguo pelo que me assevera  das horas, as águas, senhoras sinceras me dizem, amenas: desaguas por motivo irrelevante  da muda de esperas plantada no peito hão de florir as alegrias mais serenas; precisas paciência pr’esse instante - Lena Ferreira  -

aguardo

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*** guardo no meu peito com amor e zelo extremo sentido e voz da tua última palavra: ensolarada tão bem dita e bendita e aguardo como aguardo uma promessa prestes a ser cumprida mas, toda noite como brisa em sussurro ouço mansinho: ainda não, meu amor, ainda não...  - Lena Ferreira -

como(a)vida

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 *** quando Cecília canta os motivos do seu vento atento às notas familiares e aos detalhes do não-dito sereno, o não-lamento à sua sina abraça os passos do acaso e dá sequência à sua lida cada nota é movimento como o vento que escuto como(a)vida - Lena Ferreira -

convocação

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*** apressam-me as horas mas, debruçada no espelho da memória namoro demoradamente a imagem-reflexo de nós dizem - essas horas - que convocarei tristezas à ciranda do pensamento se insisto nessa demora tolas, todas... também os minutos, e segundos, que devotam empenho em demover-me do intento sabem nada, deixa... fico ainda um pouco mais   - dou passagem ao velho vento que, batizando o novo tempo, convoca borboletas e girassóis - - Lena Ferreira -

degrau por degrau

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... tua demora já não me apressa embora expressa, me diz quase nada além de toda essa indiferença a tudo aquilo que nos interessa marcaste um encontro; sem tua presença brindo por tudo que não se apreça - cada segundo veste-se de escada e degrau por degrau nos arremessa ao completo distanciamento -

por dentro

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... chegam-me notícias tuas pelas mãos delicadas de um brando vento chegam como fossem unguento pra esta saudade quase idosa cabelos brancos, tamanha a espera olhos que bem pouco enxergam o que tem se passado lá fora - como somente saber-te importasse - e quando me chegam essas tais notícias é como se um pássaro roçasse as suas asas bem aqui no meu peito - por dentro - - Lena Ferreira -

como eu

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*** se te pareço ausente dessas coisas todas é porque teus pés prioritários não me reconhecem nesse outro caminho, estreito e estranho à procura das tuas perguntas soltas talvez teus olhos, acostumados com tribunas doutas, enxerguem somente o que te convém e já não olhem para o teu passado coirmão deste meu presente que sente tanto, e tudo, e muito sem intuito e sem remissão estacionado na esquina de outros pensamentos o meu olhar ainda espelha esperas e embora também te pareça ausente - como eu -  é todo teu, presente - como eu - - Lena Ferreira -

à brisa mole

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*** quando olhos se procuram  sem encontro e perguntas se afogam  sem respostas urge a busca por um vento mais propício que diga, do início, muito mais do que do fim que cure o corte fundo feito à navalha solicitando à brisa mole que equivalha aos acordes sazonais capaz  equacionar essas questões ambivalentes plantando, aos pés do tempo, os detalhes racionais - Lena Ferreira -

ao largo

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*** ao largo, esperas cansadas se empenham: nutrindo uma esperança esquálida balbuciam preces indizíveis por dias a mais mas, a reza que os céus preferem e a que ainda profiro é por dias amenos - Lena Ferreira - 

só pra quem está dentro

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*** ninguém sabe o que acontece quando a porta fecha o que as paredes dizem, o que as cortinas sonham e mesmo que soubessem, nada disso importam a vida segue em curso, nascimento e morte sussurros, sopro, vento, solidão ao norte ao sul, a brisa é mansa e a porta, sempre aberta, recebe a chuva com sorrisos de esperança e, mesmo com o peso instável na balança, vislumbra a solução através de uma brecha então, o que acontece quando fecha a porta é coisa que só pra quem está dentro importa - Lena Ferreira - 

sem licença poética

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*** quando eu nasci nenhum dos anjos em suposto plantão (nem o de Carlos, ainda tão distraído, tampouco o de Adélia, sempre ocupadíssimo) dignou-se a me dar conselhos - era muda, mas não tive medo... -  dei foi graças por seres distantes pois se viessem, esquecidos espelhos, e me dessem o que nem lhes pedi começaria a falhar bem mais cedo - Lena Ferreira - 

nas asas de um passarinho

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*** meu amado põe palavras nas asas de um passarinho quando saem de sua boca voam, pousam e fazem um ninho neste peito que vos fala pobre peito, coisa pouca, com suas penas plangentes meu amado põe uns gestos numa estreita trajetória entre o colo, os seios e o cerne que, à loucura, ora empresto e, inflamando os lassos lábios, reedita a antiga história deste ser de tom clemente mas, logo voa... - ninguém sabe ou imagina o que traz quando retorna dos seus voos solitários em supostas desventuras - volta, pousa e eis que vinho: infiltro-me nas ranhuras das palavras que adivinho luz solícita em ternuras quando minha urgência agrava meu amado, sem palavras, sem traçar itinerários, participa a sua calma e me deixa sem palavras... - Lena Ferreira -