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arquitetura

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que, pra chegar até aqui,  atravessei muitos desertos séculos de fome e de sede impostos pela auto clausura e não pense que há lamento nos versos que vão aos pés do vento são somente grãos de areia que facilitaram a arquitetura do momento onde me encontro observando, mansamente, o aceno brando da ternura -  Lena Ferreira  -

em sucessão

pudesse, dar-te-ia esse silêncio sacrossanto que tanto e tanto e tanto, insistente, solicitas num quase desespero que me faz plantar certezas nas dúvidas discretas com colheita garantida capaz de encher um silo com os grãos das mudas falas que andam pelas salas qual correntes sem cinzel mas, hão de concordar com este sim, ser injustíssimo que venhas, persistente, me pedir o que não tenho embora o desempenho faça-me mover os céus regresso com excesso de insucesso em sucessão pudesse, dar-te-ia ainda mais do que me pedes dar-te-ia esse silêncio e outros tantos, todos, tudo... mas, falta-me a vontade para abandonar a sede e a sede que me grita, é infinita e eu não mudo deixando o que me impede revelar-se pelos véus - Lena Ferreira -

SEDE

És parecido com o mar: no avanço, recuo ou descanso o risco, o farol e o refúgio a calma, a força e a ternura o fruto e a fome e a sede minha E quanto mais me cedes dessas ondas imprevistas desparece-te com a terra; enquanto deságuo em ti os meus excessos germinam o fruto e a fome e a sede tua SEDE – Lena Ferreira – ago.14