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rimas orvalhadas

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*** quando o Jardineiro vem colher suas flores deixa rimas orvalhadas pelos cantos das janelas que aspiravam seus valores inspiradas, certamente, pelo encanto das sementes ventureiras desde o colo que fincaram suas raízes bem no vento das nuvens robustas, fizeram seu solo quebrando o trato feito com o tempo quando o Jardineiro vem, vem sem aviso é por isto que estes versos de improviso dizem menos, bem menos que deveria dizer dessas flores bem como se deve há somente um Autor que se atreve pois é o Verbo e a própria Poesia - Lena Ferreira -

COLHEITA

Sentada no quintal amanhecido envolta pelos ares da primavera observa os frutos que foram colhidos e, silenciosa, agradece a espera Com uma prece breve e sincera por ter, boas sementes, escolhido pela fé de quem não se desespera pela coragem, por não ter desistido Apesar da aridez do solo, dos ventos e das chuvas em excesso, o intento fora alcançado, com amor e cuidado Sentada, calma, entre frutos e flores respira as delícias, odores e sabores, de colher tudo aquilo que fora plantado COLHEITA - Lena Ferreira - set.14

DESVIO

Para desviarmos dos lamentos e dores, falaremos dessas cores vivas que, entre palmas, brotam nos olhos do dia-após-dia, aquarelando os rostos distraídos com as coisas pequenas que abraçam a alma. Para desviarmos dos lamentos e dores, fiaremos falas amenas nos lábios sinceros e, brandos, semearemos grãos de simplicidade no campo, o peito, onde é amplo o sentido das coisas pequenas que abraçam a alma. Decoraremos todo o canto esquerdo com o sussurro das flores bordadas de orvalho e em cada toque, o seu perfume macio e em cada gesto, o seu sereno tranquilo aquarelando os rostos distraídos. Para desviarmos dos lamentos e dores, falaremos dessas cores vivas, de flores, de vida e, simples, com c(alma). DESVIO - Lena Ferreira - mai.14