terça-feira, 24 de março de 2015

DA LONJURA

Há, nesse silêncio que escuto aflita,
um tanto da escrita lisa, lassa e suspensa
que desafia a gravidade dessas coisas todas:
penso que me encontro onde penso que me perco

Circulo o cerco, teimo e não me desvencilho
como um novilho que pastoreia nuvens e lobos
apresso a pressa, o agito, o grito quase irascível
previsível deságue em passadas tempestuosas

Ruidosas quedas que o silêncio prontamente
num tom eloquente espia e se assenhora
de todas as falas, gestos e em todas as línguas
segue e me penitencia em brandíssima censura

E da lonjura que sempre me impossibilita
responder com ternuras e afagos, afogo a voz
- mesmo sendo mar, um oceano me devora
no exato instante em que esse silêncio fala -



DA LONJURA  - Lena Ferreira - mar.15
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