segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

AMPULHETA

Qual um punhado de farelo de centeio
o tempo escorre fino pelos vãos dos dedos
e não há como desvendarmos o segredo
- se existisse -, para colocar-lhe um freio


O vento sopra mesmo e, sem nenhum receio,
espalha o pó dos grãos do tempo e os seus medos
são semeados junto aos enganos ledos
em solo vasto e produtivo - e alheios


à essa trama, ao desperdício, aos desenganos,
andamos todos , insensíveis, sub-humanos
tentando refrear a areia da ampulheta...


...para ganhar grãozinhos dessas horas úteis
depois gastá-las com assuntos bobos, fúteis
enquanto, o que de fato importa, obsoleta -




AMPULHETA - Lena Ferreira - dez.14
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