quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

VIGÍLIA

Por quanto tempo mais, eu me pergunto,
cultivaremos esse absurdo hiato
esse silêncio indiscreto, essa distância segura
que mais aproxima do que nos afasta


Por quanto tempo mais? Penso que basta...
Há tanta espera daquelas frases benditas
e nós permanecemos nesse bobo impasse:
se nada lhe digo, nada, nada me fala


Por quanto tempo ainda em solo impróprio
se apropriará do meu melhor verbo?
Talvez me canse, talvez se canse
talvez o meu alcance seja limitado


Tão distintos, sim. Tão mais profuso
e tão diverso; rimas, eufemismo, dicionário
eu, de tão rasa e confusa, me policio
temendo esbarrar nos seus cristais


Então, seguirei minha sina, secretamente
catarseando hipérboles em versos vagos
e, tropeçando em certos verbos brancos,
vigiarei a semente, silente e discreta


- aguardando o instante em que a casca se rompa  
e de lá verdejem falas macias e abertas -



VIGÍLIA - Lena Ferreira - dez.14



Postar um comentário