quarta-feira, 3 de setembro de 2014

[FLOR]IR


E sinto a madrugada escorrer por esses olhos fim  de inverno enquanto escolho a semente certa para plantar dentro do peito. Meu grande alento no momento é o ensaio da tímida certeza de que o sol espera-me logo a frente mesmo que acima das densas e cinzentas nuvens...que, qual fumaça de locomotiva, esconde o azul que, rindo, me acena; pressinto. Então, serena, cubro-me e me deito ajeitando o pensamento fertilizado. Adormecendo levemente, sonho com a colheita farta em flores anestesiando dores e cansaços, perfumando os laços renováveis. Desperto com o quarto alaranjado vivo, intenso e tão quentinho e, de braços dados com a brisa, leve, vejo a esperança com os dois pés no mesmo caminho...Sigo-a; há ainda um longo caminho para [flor]ir.


FLOR[IR] - Lena Ferreira -

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