segunda-feira, 13 de abril de 2015

LÍNEO

Quisera tanto entender esse silêncio inconcluso
e na tentativa vã de compreender teus desmotivos
desentenderam-se letras e linhas e gestos impensados
desassistidos a largo, te afastaram ainda mais; pudera... -

de essência precipitada, lancei-me em ditos absurdos e aflitos
exercendo um não sei o quê de dedos e pés pelas mãos
no mesmo solo onde desculpas infundadas germinavam
cortando as raízes das possibilidades, ralas e franzinas

- por que não e tão somente ter os passos no presente
sendo um ser tão consistente quanto és, e líneo
andando macio e puro e reto, saudando pedras e aves? -

mas, não sou nada disso por enquanto - no exercício teimoso,
aguardo um vento novo ou brisa leve ou ventania ou temporal
que me trague, consertando os passos rasos do passado

enquanto não, levo-te no colo de um pensar que me consola:
olhos fechados, embalo ainda o teu perfume amendoado
sob esta pele agridoce de esperas corrugadas



LÍNEO - Lena Ferreira - abr.15
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