segunda-feira, 6 de abril de 2015

CANÇÕES DE EMBALAR SILÊNCIOS

Pássaros arrulham madrugadas
com suas asas suaves, afagam a orla da lua que se veste em despedidas
sussurrando promessas castas para mais uma alvorada
que, com um leve suspiro de brisa, pronuncia juras em cores

folhas discretas, cobertas de orvalho, observam a vaga do intento
e, sustentando o peso em cada galho,
sorriem de canto a canto aguardando o desfecho

gérberas e tulipas bocejam em seu terceiro sono
gramíneas despertas sacodem o manto de sereno

enquanto um aroma frutado e fresco dança
fei
to dan
ça
do ven
tre
no entorno de olfatos dormentes
alguns olhos sem ponteiros ainda percorrem o seu centro

o céu já quase aberto inaugura um tom noviço

é rala a plateia

pássaros pautam a linha do horizonte em notas que se nota logo o viço:
dão luz às líricas canções de embalar silêncios frágeis, serenando seus indícios





CANÇÕES DE EMBALAR SILÊNCIOS - Lena Ferreira - abr.15
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