quinta-feira, 9 de abril de 2015

INCONFESSO

Não é a ti que espero; espero as horas
que se arrastam, parecem não passam
até parece que, só por pirraça,
quanto mais peço passem, mais demoram

Lá fora, a noite corre... Corre e chora
num choro copioso que embaça
completamente todas as vidraças
e essa visão, é certo, me apavora

Mais o relógio que, posto a parede,
põe a espera incerta numa rede
mortificando o pensamento em ais

Minto; te espero, seja tarde ou cedo
só não confesso por ser grande o medo
de que não chegues nunca, nunca mais



INCONFESSO - Lena Ferreira - abr.15
  
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