quinta-feira, 27 de novembro de 2014

ROGO

(...)aflição de te amar, se te comove e sendo água, amor, querer ser terra" - Hilda Hilst -


E sendo mar, assim tão inconstante, adormeço nas ondas densas de afagos enquanto rogo aos deuses, santos e pagãos:  - Misericórdia, misericórdia! Faz-me terra, um porto um tanto mais seguro. Asseguro-vos que assim sendo, sendo assim, entenderei a pulsação que vai na palma. E que amar é qual  sereno, leve, leve. É  brisa, brisa fresca  e constante. É alma mansa e não essa tempestade febril e enfermiça  que cansa e eriça os  nervos em alarde. E arde à flor da pele. E inflama a calma, tornando irritadiça toda a lava que ia adormecida, afastando possibilidades; as possíveis e as improváveis.
Misericórdia... Faz-me terra e, devotada, apagar-se-ão as chamas que consomem este meu mar. Faz-me terra, passos firmes, resolutos, já que luto pela calma em tanto amar...




ROGO – Lena Ferreira – nov.14
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