quarta-feira, 6 de maio de 2015

ENQUANTO ESPERAS

Inquieta-te quando pressentes desmaios
entre a crescente lua e a lua cheia:
amanheces quase  morna e anoiteces fria
seguindo a sina da estação corrente

desabita-te rápido entre as oscilações;
lunares rumores e humores  polares
que flutuam no entorno, não te pesam
tanto quanto as palavras ausentes

das distâncias, fizeste proximidades curvas
das chuvas em ensaio, criaste aragem certa
umedecendo o campado vasto e imprevisto
nos meses ralos em brevíssimos soslaios

aquieta-te; quando a lua ajustar a sua rota
decerto a varanda será  só passagem aberta
para os raios que não antecedem trovões
para as nuvens que não transportam m’água

- enquanto esperas, semeia flor no teu deserto -




ENQUANTO ESPERAS - Lena Ferreira - mai.15
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