quarta-feira, 1 de outubro de 2014

PELOS VÃOS


E da loucura que atingiu com corte
a alma doida que esse corpo habita
sangrou, sangrou até a quase morte:
eis a demência em vitimar-se aflita

De tão aflita, perdeu o rumo, o norte,
o vento e a brisa que possibilita
a calma, a paz e, novamente, a sorte
do contraponto e, nesse mar, se agita

Se agita em drama que nauseia a alma
deixando o coração posto na palma
da mão que treme sem guardar segredos

Segredos vistos, a alma põe-se exposta
onde as perguntas, sem terem respostas,
escorrem sempre pelos vãos dos dedos


PELOS VÃOS – Lena Ferreira – set.14

*mote ESTÁTUA FALSA de Mário de Sá Carneiro - sugerido por Rosemarie Schossing
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