quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

IMENSURÁVEL


Já era tarde e o meu silêncio, a companhia
além da lua, grávida de vãs promessas
bisbilhotavam o quarto inteiro à procura
de algum resquício do passado já dormente

Mas estampado estava, há muito, em cada canto
em cada foto e nas ranhuras das paredes
e a velha rede balançava com as lembranças
de um presente, vivo e intenso, entre sóis

Então, sozinhos, eu, a lua e esse silêncio
dialogamos; entrelinhas, fio a fio:
não é um vazio, é só um poço imensurável
dessa saudade de quem parte e quer ficar

IMENSURÁVEL - Lena Ferreira -

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