domingo, 15 de dezembro de 2013

CÍCLICA

Há vezes, abro-me ao sol que cirandeia pelo oceano suspenso
esquecida das noites despertas entre as nuvens estéreis
A luminescência do dia acelera o meu pensamento
que salta, saltita e orbita pela mente em euforia de cores
vibrantes sorrisos, canções e canções em ondas e ondas

“Tenho fases...”

Há vezes, fecho-me, aberta aos cíclicos pensares
segundos e segundos em variantes variáveis
sem resumos e sem cálculos; solução salobra
escorre pela face desbotada e sem ser sol
trovejo, abalando os alicerces da alma inquieta

“...como a lua.”


Reveses...E o ciclo das marés avoluma a angústia
de um vazio que nada é capaz de preencher
O sorriso salgado afasta as estrelas; sei bem
mas o céu é imenso e essas luas madrugadas
trazendo a brisa da inconstância me apavoram

“Perdição da minha vida!”

Mas há de vir um vento, um dia ou noite qualquer,
que arraste essa instabilidade a um precipício
assassinando, em mim, a inércia agigantada
diante da poeira soprada pela rua escura e fria
devoradora da calma que jamais me acariciou.

E então, eu serei minha...

CÍCLICA  -  Lena Ferreira -
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