segunda-feira, 12 de maio de 2014

FASTIO

Do soco seco vindo de uma dor extrema
nasceu um poema tão sincero, tão bonito
como se, escrito, o que rasgava em dois o peito
adormecesse no papel, mas levemente...

Quisera mesmo era apagar, do estrago, o efeito
mas o que é grave, a alma grava e é indelével
e a razão, que teima em greve nessa hora,
só colabora em aumentar esse fastio...

Resta voltar o rosto para um outro canto
e escrever tanto, tanto quanto for preciso
para que a dor escorra, inteira, pelos dedos
e adormeça no papel, eternamente...

FASTIO - Lena Ferreira - mai.14
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