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ANIMA

Dai-me ouvidos límpidos para a escuta do poema que a vida me apresenta e a palavra delicada que apascenta um novilho tosquiado à força bruta Dai-me mãos cooperativas na labuta e a gota de suor que acrescenta um grãozinho nessa caixinha cinzenta e os pés capazes na boa conduta Dai-me olhos que, além de ver, enxerguem o equilíbrio e os ombros que se erguem independente do peso oferecido Se peço muito, dai-me força - esquece o resto -  para casar cada palavra com seu gesto e a leveza de um peito agradecido  ANIMA - Lena Ferreira - *

CANÇÃO PARA UMA BORBOLETA

Ana, onde a meninice vibra a faceirice se equilibra e a mineirice doa garra e fibra pelas mãos de um Sol em libra dona de um sorriso que abraça e de um abraço que transborda tem um olhar em transparência que revela em pura essência que 'apesar de'...a vida é boa: segue e serve e, ‘se...’, perdoa Ana, que, fr(ágil) se fez fortaleza qual borboleta, na sua leveza, pousa, vibra e, livre, voa e, acima de tudo, ama. CANÇÃO PARA UMA BORBOLETA - Lena Ferreira -

OUVINDO

As vozes do vento, as velozes, confundem os ouvidos incautos em sustos, também sobressaltos, imputam torturas ferozes As vozes do vento, as bravias, iludem os olhares distantes em compassos tão dissonantes instauram a desarmonia As vozes do vento, as amenas, difundem a calma prevista em passos de lenta conquista evocam as coisas pequenas As vozes do vento, as suaves, dispersam as palavras graves OUVINDO - Lena Ferreira -

ALENTO

Planto gestos e momentos mudas, sementes antes do fruto afeto é nato Palavras empresto ao vento semeio o verso em estado bruto só feto é fato Os dedos cheios de letras que cavoucam a página do dia   e as mãos cheias de folhas que pretendem colher poesia águo-as nas fases da lua  seco-as nas lágrimas do sol rescende um aroma dessa rotina que espanta as ânsias mais ingênuas e perfuma as gotas cheias da retina e prepara o itinerário que amanhece e refaz o ciclo que tão bem conhece - planto palavras no vento - ALENTO - Lena Ferreira -

CIRCULAR II

A mão na caneta a caneta na folha a folha nos olhos os olhos pra fora o fora pra dentro o dentro na mente a mente no verbo o verbo na alma a alma no verso o verso na folha a folha no vento o vento nos olhos os olhos na mão CIRCULAR II - Lena Ferreira -
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o dia acorda e que não seja mais um dia só um dia a mais para cumprir o calendário que seja novo o pensamento e, o itinerário, que me conduza ao equilíbrio, à harmonia que eu consiga enxergar a poesia solta nas ruas, nos olhares, cantos vários e, como alguém que ouve o som de um Stradivarius, que eu sinta, em cada nota, a nova a sinfonia de toda voz que se achegar aos meus ouvidos - de gratidão, lamentos, queixas ou pedidos - que eu possa ouvir com muita calma e sem censura o dia acorda virgem e, com um brilho franco, é como extensa folha de papel em branco que pede escrita leve e verbos de ternura  - Lena Ferreira - *

PARADOXO

Sentir o ar faltando e sentir sede e ser a rede pro próprio cansaço forjando o aço frágil da estrutura com uma ternura farta no sorriso Sentir o beijo das brisas serenas e ser pequena diante do desejo de agarrar as beiradas do vento num chamamento imune à negação  Sentir a palavra dançar qual folha e ser escolha  enxergar um poema - onde o problema é visto pelos doutos outros equacionam os seus dilemas - PARADOXO - Lena Ferreira -