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reestreia nesse palco azul ardente, embora discreto, e o fato por si só é motivo pra festa um evento calado sem flashes ou confetes às janelas abertas mas, ah, o seu autógrafo é uma notícia certa nas folhas da derme das gentes despertas - Lena Ferreira -
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e, nos instantes que já não preciso, colhi manhãs um tanto prematuras para enfrentar as partes mais escuras das noites que ergueram um paraíso com um sono pouco mais que improviso o riso quase era caricatura no peito, fundo tal qual sepultura, dormiam a fala, a razão, o juízo - por conta do enterro de alguns sonhos despejei, pelos olhos, um infinito desesperando a vaga do contrito - mas neste instante, onde me disponho bem diferente do que fora escrito, futuro a vida num tom mais bonito - Lena Ferreira -
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toma-me o corpo já que a alma nasceu tua antes mesmo da existência das horas em que anoiteço na ausência onde me esqueço vez ou outra por cansaço teu abraço é meu descanso tua boca é um berço manso onde dorme o teu silêncio há um canteiro da palavra que lava, que leve, que livre livra a língua dos pudores que estrangeiravam as luas - toma-me o corpo já que a alma é livre, e sua - - Lena Ferreira -
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acordar a noite para um papo ameno sentindo o sereno descer tão macio nem sentir o frio que já se anuncia nem lembrar do dia vivido em açoite acordar a noite e namorar a lua que vai seminua desfilando, bela ah, o brilho dela lembra os olhos teus deitados nos meus acordando a noite   - Lena Ferreira - 
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Lá fora, o mundo tá um caos, é certo. Mas, aqui dentro não é muito diferente. A gente ameaça explodir mil vezes. E, quando explode, perde a cabeça. Ou seria o contrário? Sei lá... E não é raro. Aí, meu caro, o que foi já era. Espera a calma voltar noutro itinerário. Não há mais como voltar atrás. Nada há, aliás. O que passou, já não passa mais. E, se insistir, o presente amarrota a rota, o rumo, o lema e a lima desafia, perde o corte e chama a morte para a vida. Em vida. Lá fora, o mundo tá um caos, é certo. E o que eu disser não vai mudar o mundo. A não ser que o que eu diga, eu faça. Que não passe de mais uma ameaça. A não ser que o que eu diga, exploda o motivo em ação. Enquanto não, sim, me concentro nessa viagem, não menos caótica. Olho no ego, como diz-me a ótica. Caos por caos, ainda prefiro viajar pra dentro. - Lena Ferreira -
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gosto quando chega assim mansinho quieto e fazendo um carinho nos cabelos e na pele gosto quando chega de surpresa bravo e com certa rudeza tangendo o que me impele gosto quando percorre os céus meus e, soprando as nuvens-breus, sussurra o que me alivia gosto de tudo o que leva e traz e do muito que é capaz: fecundar-me poesia
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não me perturba esse olhar quase cativo debruçado da varanda do meu pensamento esparso e muito menos quando vai assim, lascivo, e impregna com lavanda todo o canto em que me espaço quando desfila descuidado entre as rotinas, planta infinitas surpresas no jardim destas retinas e essas meninas, que já viram tanto, tanto - vida, morte, riso, pranto - veem-se diante deste espanto: não se perturbam com o instante em que as contemple, mas enlouquecem quando planta um para sempre