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Lá fora, o mundo tá um caos, é certo. Mas, aqui dentro não é muito diferente. A gente ameaça explodir mil vezes. E, quando explode, perde a cabeça. Ou seria o contrário? Sei lá... E não é raro. Aí, meu caro, o que foi já era. Espera a calma voltar noutro itinerário. Não há mais como voltar atrás. Nada há, aliás. O que passou, já não passa mais. E, se insistir, o presente amarrota a rota, o rumo, o lema e a lima desafia, perde o corte e chama a morte para a vida. Em vida. Lá fora, o mundo tá um caos, é certo. E o que eu disser não vai mudar o mundo. A não ser que o que eu diga, eu faça. Que não passe de mais uma ameaça. A não ser que o que eu diga, exploda o motivo em ação. Enquanto não, sim, me concentro nessa viagem, não menos caótica. Olho no ego, como diz-me a ótica. Caos por caos, ainda prefiro viajar pra dentro. - Lena Ferreira -
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gosto quando chega assim mansinho quieto e fazendo um carinho nos cabelos e na pele gosto quando chega de surpresa bravo e com certa rudeza tangendo o que me impele gosto quando percorre os céus meus e, soprando as nuvens-breus, sussurra o que me alivia gosto de tudo o que leva e traz e do muito que é capaz: fecundar-me poesia
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não me perturba esse olhar quase cativo debruçado da varanda do meu pensamento esparso e muito menos quando vai assim, lascivo, e impregna com lavanda todo o canto em que me espaço quando desfila descuidado entre as rotinas, planta infinitas surpresas no jardim destas retinas e essas meninas, que já viram tanto, tanto - vida, morte, riso, pranto - veem-se diante deste espanto: não se perturbam com o instante em que as contemple, mas enlouquecem quando planta um para sempre
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dançar, ao som de quê, não sei dançar, dançando, eu saberei dançar, talvez, só pra espantar a voz que teima em pensamento dançar, dançar e convidar o vento pra dança desse esquecimento ao qual preciso me entregar numa entrega sem fim - pra me lembrar de mim -
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no vão do verso que escorre pelos meios vão os anseios e tremores segregados vão ocultos entre a pele, a renda e os seios implorando virem ao mundo saciados carregando incertezas, sem receios vão em fuga entre os dedos acelerados e, esbarrando na tintura dos enleios, pingam letras de um pressuposto pecado transpirando, o verso e o inverso, já sem freios, incendeiam as entrelinhas - fascinado, transitando pelas linhas, enquanto os leio, questiono porque são tão censurados   :no verso, vão da alma, estio e esteio serei mais um entre esses crucificados?!

INDICO - Divulgando livro

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A indicação de hoje vem da poeta  Lucilia Dowslley. https://www.facebook.com/events/112027139316589/ Até lá!
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quem há de ouvir meu grito quase, quase mudo que corre pela mata em dores de agonia   a mesma mata que nos pertencia de onde tiraram quase, quase tudo das nativas árvores ao infinito espaço restou bem pouco e pouco a cada dia da caça, bem colhemos o cansaço de retornar com as mãos quase vazias colonos há que muito tempo trazem doenças não civilizadas na bagagem arcos, flechas, mortes, penas misturam-se à pena será que o futuro, perto, nos condena? quem há de ouvir meu grito do dia após dia que, mudo, põe a boca aos pés da poesia? * - à proposta NÃO TEMA O TEMA do Terça ConVerso no Poesia Simplesmente de 18/04/2017 -