sábado, 15 de julho de 2017

é para lá que voo



dizem que o novo verso anda no meio do povo
varrendo as ruas, os becos e as esquinas
abrindo as bocas e as frestas das cortinas
fechando entranhas dos estranhos sinais
suturando os cortes consagrados em ais
estancando hemorragias, estocando poesias

dizem que o novo verso anda onde não anda o eco
arrítmico do ego, da cisma, do abalo sísmico 
das palmas, das plumas, dos ressentimentos

dizem que o novo verso anda entre os movimentos
das mãos na lida e dos pés na lama, descalços
entre os percalços, dúvidas e tropeços
das crianças plantadas na marra
pelos campos desertos de sonhos
apesar da mínima a idade
barrigas vazias de lua cheia

dizem que é por lá que o novo verso anda
anda e versa enquanto semeia estrelas
enquanto espera pela lua crescente

no mais, tudo é tão velho, é arremedo
dizem, apenas uma roupagem nova
para o antigo verso que surgiu mais cedo

- dizem que é por lá que o novo verso anda
então é para lá que, semente, voo -

- Lena Ferreira -
Postar um comentário